terça-feira, 20 de outubro de 2020

Poema sobre às delícias da impunidade

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A polêmica em torno do traficante solto pelo STF ficou de bom tamanho para quase todo mundo.
Bom para o ministro Marco Aurélio Mello, que marcou sua posição garantista, independente da periculosidade do réu.
Bom para o presidente do Supremo, Luiz Fux, que cassou o habeas corpus do Marco Aurélio,
desconsiderando todas as considerações do colega.
Bom para o plenário da Corte, que apoiou a decisão de Fux de anular o habeas corpus,
visto pela sociedade como mais uma aberração jurídica.
E, de quebra, bom também para o ex-juiz Sergio Moro,
que voltou ao noticiário como referência e reputação no combate à corrupção.
Moro lembrou que o país estaria livre desse vexame se a prisão em segunda instância não tivesse sido revogada pelo Supremo,
ou já tivesse sido restaurada pelo Congresso.
Em vez disso, deputados e senadores aprovaram o artigo 316 do Código de Processo Penal, sob a alegação de que o tal artigo serviria para proteger pobres presos sem culpa comprovada.
Mas eu repito que pobres não comandam o crime organizado no Brasil, pobres não cometem crime de caixa 2 e pobres não desviam dinheiro dos cofres públicos.
Esse parece mais um artigo sob medida para proteger corruptos engravatados. Acabou protegendo um traficante, assassino e, quem sabe, estuprador.
Um bandido que pôde sair da cadeia pela porta da frente, a bordo de um carrão caríssimo, com escala num aviãozinho particular, rumo às delícias da impunidade.
Enfim, ficou de bom tamanho para um marginal confesso que fugiu…
fugiu zombando da lei, da ordem,
da Justiça e dos brasileiros decentes, “nós”, que pagamos os impostos e pagamos os salários do Supremo e do Congresso.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Poema sobre o dia dos professores

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Eu respeito o marco, mas tenho a exata noção da marca,
sim, hoje é  um marco, mas o ofício produz marcas e são elas que me ajudam a acreditar que uma outra realidade ainda será construída. 
São as marcas que não permitirão o esquecimento da verdade,
são as marcas que trarão para o debate os temas que querem nos fazer acreditar que são indiscutíveis,
são as marcas  que incomodam, arranham e às vezes derrubam estruturas,
são as marcas na alma,
na mente e no coração que nos permitem o encontro e o reencontro com nossa humanidade.
O marco é hoje, mas as marcas são diárias e para o todo da vida.

O americano médio

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A despeito de todos os prognósticos e previsões,
não me causará surpresa uma nova vitória de Donald Trump nos EUA.
Isso porque o favoritismo de Joe Biden é hoje de 10 pontos percentuais.
Mas esse favoritismo pode não ser o bastante,
se as pesquisas não estiverem captando milhares de eleitores de Trump constrangidos ou envergonhados por confessar votos no atual presidente.
A gente já viu esse filme… e foi aqui no Brasil. Em 2014, muitos eleitores sonegaram das pesquisas a intenção de votar em Dilma Rousseff.
Em 2018, aconteceu o mesmo em relação a Jair Bolsonaro.
Daí que nada está perdido para Trump, assim como nada está ganho para Biden.
É verdade que Trump tem agora uma administração fácil de ser criticada ou apedrejada.
Mas também é verdade que o americano médio não é aquele que a gente vê nas séries de TV ou nos filmes de Hollywood, mostrando uma Flórida sem preconceito, uma Califórnia democrática e uma Nova York cosmopolita.
O americano médio é muito mais parecido com Donald Trump do que com Brad Pitt,
Johnny Depp ou Leonardo Di Caprio.
Foi essa identificação nacional com o vilão, não com os mocinhos,
que elegeu o presidente quatro anos atrás.
E não será surpresa se essa dissimulação for suficiente para reelegê-lo por mais quatro anos.
Foi-se o tempo em que os bandidos morriam no final.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Entrelinhas

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Somente pelos os seus olhos, você pode me ver durante a noite.
Somente pelos os seus olhos, eu nunca necessitarei se esconder.
Pois você pode ver muito em mim tanto em mim que há de novo.
Eu nunca me senti até que eu olhei para você.
Somente pelos os seus olhos apenas para você.
Você vai ver o que ninguém mais pode ver.
Somente pelo os seus olhos, apenas para você, o amor que eu sei que você precisa em mim, a fantasia que você libertou em mim, estará em minha mente e no meu coração.
Apenas para você.
Somente pelo os seus olhos, as noites não são frias.
Pois você realmente me conhece, e isso é tudo que eu preciso saber.
Talvez eu sou um livro aberto
Porque eu sei que você é minha
Mas você não vai precisar de ler entrelinhas para vê o sentindo disso, e nem ouvir ideias, intenções que não estão explícita ou diretamente expressas numa mensagem.
Somente pelos os seus olhos, você verá as paixões que colidem em mim, o selvagem abandonado lado de mim.
Apenas para você somente para os seus olhos essa expressão chamado amor:
Indica uma das sutilezas da escrita,
indicando que isso que eu sinto por você, deve ser lido,
pois o sentido vai muito além das palavras, situando-se em minha imaginação.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Poema sobre o dia das crianças

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Neste 12 de outubro, Dia da Criança,
eu volto a pedir a todos os ouvintes,
se puderem, quando puderem, 1 minuto de silêncio, reflexão e solidariedade.
Silêncio, reflexão e solidariedade a todas as famílias daquelas crianças que não estão mais aqui para celebrar este dia.
Dia de homenagem à pureza, à doçura e à inocência tiradas das crianças e de suas famílias por balas de fuzil, escopeta ou metralhadora.
Balas que nem esperam mais o bebê nascer ou a infância florescer.
Balas capazes de matar a esperança dentro de casa ou dentro do útero da mãe numa espécie de realismo fantástico inimaginável até na ficção mais desprezível.
Daí que, quando a vida real se torna mais absurda e abjeta que os filmes e as novelas,
é hora de todo o Brasil se render às evidências de que o país fracassou.
Fracassou como modelo de estado,
fracassou como projeto de nação e fracassou como lugar de gente.
Pelo menos para as famílias que perderam suas crianças e suas esperanças,
hoje o Brasil não passa de selva, curral ou chiqueiro do inferno.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

A Lava Jato também está longe de acabar

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Pode causar estranheza e revolta a declaração do presidente Bolsonaro,
que confessou ter acabado com a Lava Jato porque o governo ‘não tem mais corrupção’.
A fala não tem sentido lógico, mas tem cálculo político,
porque a situação de Bolsonaro hoje exige dele um certo jogo de cintura e de contorcionismo.
Em 2018, votaram em Bolsonaro três tipos de eleitores: Os antipetistas, pró-Lava-Jato e pró-Moro, que queriam o combate sem trégua contra a corrupção. Os neoliberais, pró-privatizações e pró-Paulo Guedes, que o queriam como superministro.
E os conservadores, movidos pelas raízes do bolsonarismo, que queriam chegar finalmente ao poder.
A saída de Moro desiludiu os antipetistas, e as sucessivas desidratações de Guedes desencantaram os neoliberais. Sobraram os conservadores, que, porém, também andaram se desiludindo e se desencantando.
Alguns acharam estranha a aproximação de Bolsonaro junto a alvos preferidos da ala radical, e outros se revoltaram com a indicação de Kássio Nunes para o Supremo, em vez de um nome “terrivelmente evangélico”.
Daí que a declaração do presidente, de que acabou com a Lava Jato porque não há mais corrupção no governo, tenta atender à expectativa de dar discurso e de reanimar os conservadores.
Ou seja, Bolsonaro jogou para a arquibancada, tentando evitar outra grande onda de dissidência.
Pode ter funcionado com a plateia, mas não funcionou com o STF: a decisão do presidente da Corte, Luiz Fux,
de devolver ao plenário os julgamentos envolvendo autoridades públicas foi uma vitória graúda da Lava jato.
De modo que pode-se afirmar, com segurança, que, assim como a corrupção, a Lava Jato também está longe de acabar.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Poema sobre milhões de brasileiros

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Milhões de brasileiros precisam parar de ver a corrupção como coisa normal e aceitável.
Milhões de brasileiros parecem não mais se dar conta do peso,
da carga e da praga que é a corrupção.
Parecem não se dar conta de que a corrupção só não é um crime hediondo no Código Penal.
Quando alguém desvia verbas da saúde, está roubando os hospitais; está desviando dinheiro de pessoas doentes, que precisam de medicamentos, internações e cirurgia;
pessoas que estão lutando para viver, lutando contra a morte.
Quando alguém paga propina com recursos da educação,
está roubando das escolas,
está desviando dinheiro de crianças carentes, que precisam de ajuda,
material e principalmente merenda; crianças que fazem nos colégios a sua melhor ou a sua única refeição.
Quando alguém recebe suborno tirado dos orçamentos da Fundação Leão XIII, por exemplo,
está roubando dos programas de assistência social, está desviando dinheiro dos mais miseráveis, dos moradores de rua, que precisam de teto, abrigo e principalmente de alimento,
de comida; uma gente que depende de ações solidárias e humanitárias.
Enfim, diante da corrupção,
não se pode aceitar, nem banalizar,
a impunidade.
A corrupção e a impunidade são tão repugnantes que até um poeta tem que ter lado.
Caso contrário, eu mesmo estaria roubando o tempo e a confiança de vocês.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Poema sobre o racismo estrutural

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A Gêneses do Brasil é racista,  basta olhar os efeitos do contato entre os europeus e os nativos.
A nossa história começa e se desenvolve apoiada nos mecanismos de inferiorização,
subjugação, exploração e assassinato dos considerados racialmente interiores.
Não, as tribos nativas não viviam no mundo de Alice, tinham seus problemas locais, guerreavam entre si, faziam seus prisioneiros,
mas não faziam da aniquilação da humanidade do outro, o seu principal projeto de existência e ascensão.
Aprisionar, explorar e matar não era o respirar daquelas tribos, não se tratava de uma indústria,
como o era para o bom homem branco europeu.
Algumas pessoas estão dizendo que está chato viver hoje no Brasil,
dizem que agora tudo é racismo,
que o politicamente correto estragou tudo,
é lamentável ouvir isso, pois sempre foi chato viver no Brasil para aqueles e aquelas que não possuem na pela a marca do colonizador.
Negros e nativos são,
desde sempre, elementos prescindiveis, descartáveis e invisíveis enquanto seres humanos,
mas bem reais enquanto massa de exploração.
Massa essa que deve ser controlada pelo uso da força excessiva, que é amparada pelas leis criadas, fiscalizadas e executadas pelo Estado.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Gasto tributário

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O gasto tributário é mais um caso em que,
por mais maravilhosa que seja a estratégia,
de vez em quando é bom dar uma olhada nos resultados.
Esse gasto tributário é o conjunto de renúncias fiscais referentes a impostos,
contribuições e perdas com crédito subsidiad,
ou seja, tudo aquilo que o governo deixa de arrecadar a pretexto de contrapartidas ou compensações.
O problema é que, por causa da grande expansão do
gasto tributário, entre 2006 e 2014, a renúncia fiscal segue hoje na casa dos 308 Bilhões de reais… Bilhões… com B de Brasil.
Fez-se todo esse rombo, sem que as contrapartidas combinadas lá atrás fossem entregues;
sem a produção, a geração de emprego e a elevação da renda,
receita ou arrecadação prometidas.
Daí que não há como sustentar gasto tributário se não houver controle dos programas e cumprimento de metas.
Com esse volume de renúncia, mais de 300 Bi,
é fundamental exigir o máximo de avaliação sobre o retorno desses incentivos em benefício da sociedade.
É isso que precisa estar em jogo entre o Congresso e o governo que estão discutindo a desoneração da folha de pagamentos para 17 setores da economia.
Nada contra a desoneração, mas, sem estabelecer metas, controles, benefícios ou compensações, melhor seria jogar dinheiro do alto dos prédios ou de helicópteros e aviões oficiais.
Como dinheiro não cai mesmo do céu, resta rezar para a desoneração não cair no lugar comum
aquele em que o governo abre mão de muitos impostos e, em troca, os empresários não abrem as vagas esperadas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

O teatro americano

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O primeiro confronto direto entre os candidatos à Presidência dos EUA, infelizmente, ficou muito parecido com quase todos os que já vimos no Brasil.
Em vez de ideias e propostas, Donald Trump e Joe Biden protagonizaram uma briga de rua, uma rinha de galos, cheia de gritos, palavrões e agressões.
O que milhões de americanos assistiram, na noite de terça-feira,
foi um show de calouros capaz de envergonhar até os piores apresentadores de TV brasileira.
Baixaria, amadorismo, falta de respeito, de educação e de civilidade.
Analistas enxergaram que ninguém ganhou e que todos os eleitores perderam.
Mas, a bem da verdade, nesse contexto de reducionismo, desqualificação e “quanto-pior-melhor”, a vantagem foi claramente de Donald Trump.
Só a ele interessava transformar um ambiente de diálogo, informação e esclarecimento num palco de baderna e desordem, estrategicamente forjado para, mais uma vez, sabotar um ritual da democracia.
Só ao Trump interessava não ter que responder por que um presidente dos EUA, com uma fortuna pessoal de 2 bilhões de dólares, se acha no direito de não pagar imposto de renda ou de pagar uma merreca ao Fisco.
Daí que Joe Biden perdeu a oportunidade de aplicar um dos ensinamentos letais do jeito americano de vencer eleições, baseado no seguinte: quando seu inimigo está se afogando, não jogue uma boia, jogue uma viga, um pilar ou uma bigorna… pro sujeito afundar mais rápido.
Em vez disso, Donald Trump ainda respira!.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Poema sobre a involução humana

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A humanidade está vivendo uma verdadeira revolução tecnológica,
a cada segundo a obsolescência mostra sua cara, o novo perde espaço para o novíssimo em fração de segundos.
Só o que não muda é a nossa boa e velha mentalidade (mesquinhez, ingratidão,preconceitos),
agimos como se o outro fosse mais um objeto,
mais um bem adquirido que se torna obsoleto diante de novas necessidades impostas pela lei do consumo.
Tornamo-nos a cada dia altamente tecnológicos e  menos humanos.
Espero que possamos redescobrir o bom e velho ubuntu ou a nossa verdadeira humanidade para os outros.
Pois sou o que sou pelo que nós somos, um ser, só é um ser, através de outro ser.

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