domingo, 30 de abril de 2023

Poema sobre um caminho sobremodo excelente

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Se sem amor nada aproveita,
então, sem amor não há vida, pois,
caso qualquer coisa gerasse vida,
o amor seria apenas uma outra alternativa de vida como existência.
Quando Paulo disse que o amor era o caminho sobremodo excelente,
ele não dizia que sem amor há um caminho de vida, ainda que inferior.
Afinal, João decretou que Deus é amor, e, também, que aquele que ama conhece a Deus, e que quem não ama jamais o viu.
O amor não é romântico e nem fantasioso.
O amor lida com o que é; sem ficção. Nele cabe o romance quando essa é a relação, mas suas bases são bases de verdade e realidade.
Amar é, segundo Jesus, uma decisão espiritual a ser praticada em relação a tudo e todos.
No entanto, o amor tem que ser como o de Jesus.
Amor diferente do amor de Deus não é amor.
Pode-se ver Jesus escolhendo amigos livremente.
No entanto, Ele nunca escolheu a quem amar.
Ele amava quem Ele via e passava o Seu caminho.
Amava sempre.
Amou os amigos e discípulos,
mas amou a todos os inimigos.
E quando se diz que Ele amou alguém, como foi com o “jovem rico”, se o vê amando sem romance.
Ele ama apenas com amor, não com emoções empolgadas.
Também se vê que no amor de Jesus o objeto do amor, o “jovem rico”,
mesmo amado, é deixado seguir o seu caminho de auto-engano.
Afinal, o amor deixa livre sempre.
De fato, o amor não é dono de nada e nem de ninguém.
Depois dessa tríplice negação à Jesus, Pedro precisava de atenção especial.
Jesus faz uma pergunta tríplice à Pedro se ele O ama?.
Apascentar os cordeiros, pastoreia as ovelhas e apascentar as ovelhas é, uma forma perfeita de ama a Deus.
Ou seja, ama a Deus é ama o meu próximo e ama o meu próximo é ama a Deus.
Quem ama não possui e nem é possuído.
O amor não é um encontro de serpentes famintas engolindo uma a outra.
Amar o inimigo é uma decisão,
assim como amar a mulher que um dia se amou e se ama.
Cada dia mais é minha convicção que aquele que cresce em amor cresce em tudo na vida; da mente aos atos de vida verificável.
Quem quer expandir a mente deve amar, pois, somente no amor pode-se crescer para atingir o que quer que seja nosso maior potencial nesta vida e na vida porvir.
É triste ver que as pessoas creiam que o amor é apenas um confeito de bolo fraterno e humano, sem que vejam que o amor é a própria vida, e que um ser humano estará tanto mais vivo quanto mais amar com o único amor que existe em projeção eterna: o amor de Deus, que é aquele que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta; e que jamais acaba.
O amor pode mudar de configuração conforme a relação.
Porém, uma coisa que o amor não sabe é desamar.
Vida é amor; e quem ama está no caminho de todas as coisas.
O amor é a síntese única de tudo o que faz a existência acontecer.
E se estamos falando da vida no espírito, nada há que possa ser real e verdadeiro sem amor.
Portanto, quem quer vida eterna, que busque amar; fazendo as decisões do amor todos os dias.
Que possamos escolher o que é perfeito que são as conclusões dos propósitos de Deus para o ministério a um mundo necessitado através da palavra pregada e da palavra confirmada.
Que possamos parar de vê como em espelhos antigos feitos de metal que conferiam reflexos confusos, o que uma ilustração de nosso conhecimento imperfeito durante este século.
Que possamos buscar o conhecimento completo e instantâneo no futuro estado de Glória.
Que possamos saber que os valores da fé, esperança e amor estão necessariamente neste século.
Mas no século vindouro a fé cederá lugar para a visão, e a esperança se transformará em experiência e só o amor permanecerá eterno.









sábado, 29 de abril de 2023

Poema sobre a metáfora

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Entre a imagem e a metáfora, melhor a metáfora. 
As imagens vêem prontas, desprovidas de encanto; não desafiam a imaginação. 
Já a metáfora provoca a imaginação; abre janelas na alma.
Deus se desaloja dos objetos para morar nas palavras; ele se faz poesia, insinua-se na prosa e quer ser intuído no romance.
Deus transforma substantivos em verbos para fazer do amor a ação de amar.
Seu bem-querer fica melhor entendido em uma história do pai que celebra a volta do filho. 
Uma explanação sobre a mecânica da graça, empobrece o mistério de alimentar uma multidão com um punhado de peixes e pães.
O divino reside além da concretude fria das coisas e se transubstancia nos detalhes da existência. 
Ele, inconcebível, deseja se fazer perceptível nas ações solidárias.
Embora intangível, Deus busca se confundir com a bondade. 
Apesar de invisível, seu propósito consiste em habitar nos corações sensíveis.
Congelados em sistemas e lógicas,
os deuses se tornam feios.
Visualizados na metafísica,
perdem o encanto; explicados no racionalismo, apequenam-se. 
Só é possível conhecer a Deus viajando ao mundo da ternura.
Os que amam são nascidos de Deus.
Pessoas sensíveis, mesmo quando não admitem, estão próximas dEle.
Deus é vento que move as relações,
os gestos solidários, o enfrentamento do mal, a luta pela justiça. 
Deus é espírito que se multiplica em gentilezas, ternura que nós chega através de uma escuta enamorada.
O Verbo se fez carne para que paremos de persegui-lo no além.
Seu nome é Emanuel,
Deus conosco.




sexta-feira, 28 de abril de 2023

O nivelamento de todos

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Todos se nivelarão, mais cedo ou mais tarde.
Todos aqueles que têm o espírito da ganância, da vaidade, do orgulho, do egoísmo, da maldade e da prepotência acabará algum dia.
O trajeto da ganância, do poder e da vanglória finda no vazio.
“Vaidade de vaidade, tudo é vaidade
O tempo poupa alguns mas só por um tempo.
Todos os poderosos, empresários, lideres políticos e religiosos a enorme maioria será esquecida em três gerações.
Fotografias vão para o lixo antes que o próximo meteoro passe por aqui.
Bisnetos mal conhecerão sua ascendência.
Ditadores, capitalistas, opressores, escravagistas não ficaram para sempre multiplicando a iniquidade. 
A foice corta o capim, a faca quente afunda na manteiga e o calor dispersa a neblina e todos os dias a morte leva alguém.
A rocha é forte, mas o ferro pode parti-la.
O ferro é duro, mas o fogo pode amolecê-lo.
O fogo tudo pode consumir, mas a água pode apagá-lo.
A água é devastadora, mas as nuvens a contém.
Não existe ninguém mais forte que o outro, todos têm suas limitações logo a sua frente.
Estimemos uns aos outros.
Sejamos gentis.
Cedo ou tarde, a morte nos tornará irmãos e irmãs.
Todas as fantasias desaparecem na hora da morte, mesmo que alguém decida encher de ouro e diamantes o local onde o corpo ficará.
Ou seja, alguém ainda pode não aceitar a igualdade e tentar levar a desigualdade para outro lugar.
Por isso, as pessoas que ainda se encontram vivas, precisam ama urgentemente a luz que veio ao mundo.
Que o culto a Deus seja exercício da humildade, do aprendizado,
da humanização urgentemente.
Que todos sabiam que o verdadeiro culto que agrada a Deus, é um ser humano cuidando de outro ser humano.
Que a conexão com a diversidade, regozija pela simplicidade,
ações em caridade, clamor pela equidade, reconhecimento da própria contingência e finitude, contemplação e respeito pela magnitude do planeta e do universo.
Seja consciência abrangente da humanidade como irmandade,
da natureza como necessidade,
da ternura como mote, da gentileza como norte, da indiferença ao sofrimento como morte.
Que a devoção a Deus seja amar a cada instante, não obstante
a complexa existência.
Deus quando nos fez, fez para a eternidade e não para a temporalidade, por isso é tão difícil entendermos porque partimos.
 Jesus, em determinado momento,
vai dizer aos seus discípulos que ele está indo para o Pai e irá preparar lugar para eles também.
Para aqueles que creem que Cristo ressuscitou a morte está superada,
já não tem mais poder algum,
pois também ela é temporal e está sujeita ao Eterno Deus.
A realidade da Ressurreição nos dá a certeza de que a dor que sentimos hoje com a morte, será superada pela glória da eternidade.
Não vivemos apenas o hoje,
mas já estamos vivendo na eternidade.
A morte é apenas parte do processo de algo muito maior e grandioso. 
A vida não termina com a morte e também não teremos outra vida após a morte, teremos sim um outro corpo.
Um corpo que não esteja sujeito a ação do tempo, um corpo que não esteja sujeito a doenças e que seja frágil, teremos um corpo ressurreto,
para vivermos o restante da eternidade.
Deus não nos fez para vivermos um curto período de tempo e com a ressurreição temos a certeza de que a vida não está presa a este local,
mas sim àquele que a dá, ou seja,
os dias da nossa vida não se resumem apenas àqueles vividos nesta terra,
mas também àqueles que viveremos ao lado de Deus.
Porque a vida não se resume ao aqui, porque a vida está para além daqui e porque ainda temos muito da eternidade para viver é que podemos repetir com o apóstolo Paulo:
Onde está, ó morte, a sua vitória?.
Onde está, ó morte, o seu aguilhão?.



quinta-feira, 27 de abril de 2023

Não tenha medo do amor

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Não firam as feridas que acumulam em pessoas vivas.
Não riem de pessoas que residem em ruas feridas, sofridas, esfomeadas, amarguradas, carentes de amor.  
Se você não se importa com os traumas de crianças, nunca tripudie o tormento de adultos.
Tenha cuidado com os nervos expostos de quem a vida chagou.
Os corpos são sensíveis.
Quando lágrimas escapam de olhos cansados, não as julgue.
Se o choro insiste, e nasce das injustiças,
ele é bem-aventurado.
Jamais pise em corpos caídos.
Nunca escarneça de derrotados. 
Gente abatida não merece inclemência.
Todos carecem de misericórdia.
Em uma existência fragilizada,
qualquer lâmina pode descer com a velocidade da guilhotina. 
O mundo clama por olhares calmos.
Devemos firmar os joelhos desconjuntados de senhoras alquebradas pela decepção.
Preservar a vida é imperativo sagrado. Transforme o seu colo em maca;
toque os dedos nas feridas alheias com leveza; transforme seus ombros em arrimo. 
Seja um samaritano que transpira solidariedade.
Encare a sorte dos esquecidos como ele fez com o viajante saqueado que agonizava na beira da estrada.
Não trate os desafortunados como inconvenientes.
Não ajude os que descartam o milagre da vida.
Ninguém nasceu para ser estorvo.
Evite risos sarcásticos e pilhéria.
Todas as pessoas desejam ser queridas.
Urge reaprender a chorar e a bordar a história com fios multicoloridos.
A história, feia ou bonita, pertence aos humanos.



terça-feira, 25 de abril de 2023

O salmo da minha razão

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Deus, tu és a razão da minha não-razão racional; a lógica do meu ser desarmonioso; a graciosidade das minhas emoções em desatino.
Tu és o amor que brota em mim a resiliência.
Tu és a minha bússola em que me acho;  me elevo e me exalto e me encolho;
me expando e me limito. 
Por Tua causa, falo e emudeço;
absorvo a vida e converso com ela.
Tu já me presenteaste com tanto.
Tu me cativaste com uma estranha ternura.
Tu és o labirinto que ainda não percorri, o enigma que sequer desvendei,
a equação que nunca solucionaria e o mistério que jamais alcançarei.
Posso apenas dizer que te amo,
mas sem conseguir explicar se estou sendo sincero.
Deus é amor e não adestrador.
Deus é amigo antes de ser senhor.
Daí a fala do profeta repercutir milênios depois: “Seduziste-me, ó Senhor, e deixei-me seduzir…”. 
A única missão que merece adesão é amar ponto final.
Por causa de Jesus mantenho uma fé, creio na integridade existencial de Jesus e nela encontro meu referencial.
Portanto, em Jesus podemos cultivar uma espiritualidade que transcende aos contornos, e às delimitações fundamentalistas.
Jesus de Nazaré me inspira, provoca e dá ânimo fé resiste e age.
Jesus propõe que vinho seja despejado em odres novos, Ele não se refere a melhorar o cenário ou a liturgia,
mas a uma nova forma de organizar a vida a partir de uma nova concepção de Deus.
Jogo fora o vinho que vinagrou pra mim enquanto vou me despindo dos andrajos de antigas certezas. 
Se muita coisa não faz mais sentido para mim, teimo em seguir a Jesus.



segunda-feira, 24 de abril de 2023

Seu nome é Compaixão

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Jesus foi assassinado sem motivo.
A elite religiosa que dominava o templo judeu negociou com os poderes imperiais para o crucificarem.
Jesus ameaçou a religião, jamais o império romano.
Ele veio da Galiléia, uma região remota e sem grande importância para César. 
Sua vida e ensino foi um perigo para os sacerdotes, pois os pobres, marginais e doentes, desde cedo viram que não precisavam do fardo dos fariseus para acessar a Deus.
Ele alcançou procurava a  periferia a encarnar valores dignos. 
Jesus inspirou escravos, destituídos e esquecidos e verem em Deus libertação, nunca algemas. 
Para ele, uma vida alicerçada em solidariedade, justiça, compaixão e bondade representava a chegada do reino de Deus.
Depois de uma tortura cruel o assassinaram na cruz. 
Lucas conta que houve trevas as três da tarde.
Escuridão súbita, que significava mais que um coincidente fenômeno da natureza.
A noite atípica foi sinal de que Deus não autenticava o que acontecia.
A escuridão foi metáfora.
Deus impediu que houvesse luz diante de tamanha sordidez.
O recado foi claro.
Deus nunca pactua com o perverso. 
Não aceito, portanto, a morte de crianças com fome.
Não maquio com teologia o descaso com que os indígenas foram tratados.
Já que abandonei a ideia de que Deus pilota as engrenagens da história a partir de em algum canto do universo ou desde alguma dimensão sobrenatural, repito: não existe morte necessária.
Não há uma glória futura que justifique a tortura de crianças.
O Deus calvinista que suja as mãos para conduzir a história não passa de um ídolo para mim. 
Não concilio a lógica de que Deus, numa espécie de loteria sádica, escolha premiar e maltratar os que quiser.
Não sei conviver com uma divindade discriminatória, que usa de critérios escondidos e inquestionáveis, e elege os seus.
Insisto: Deus não pactuou com os assassinos de Jesus. 
Deus se revolta contra qualquer maldade e interpela homens e mulheres a resisti-la.
O Deus que me inspira, sofre; o Deus que me anima, fez seu tabernáculo entre nós.
Seu nome é Compaixão.


domingo, 23 de abril de 2023

Gente como deveria ser

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Se essa imagem não nos incomoda talvez isso revele uma de nossas maiores dificuldades de ser gente.
Temos nós dificuldade em reconhecer a imagem de Deus em um ser humano que não seja nós mesmos.
A vida sem amor e sem o Co-autor desse amor,
é como uma planta numa terra sem rega.
Quanto mais ando,
ouço e principalmente me vejo e me dou conta de minhas imperfeições crônicas, mais essa notícia me constrange: 
Deus quis ser gente!.
Ele quis tomar a forma mais fragil do Universo.
O rei quis ser bebê nascido em uma manjedoura.
Ele deixou de contar as estrelas para vê-las de baixo.
Deixou de desenhar oceanos para conhecer uma lágrima.
Deixou seu trono para caminhar com pessoas oprimidas, humilhadas ou obrigadas a se sujeitar a algo ou alguma coisa.
Deus quis ser gente!.
Ele quis ser tudo o que hoje eu não queria ser.
Experimentou voluntariamente coisas das quais quero desesperadamente me livrar Ele amou pessoas que eu queria odiar, sendo uma delas eu mesmo.
Como pode algo assim?.
Deus quis ser gente!.
Em nossa natureza humana e capitalista todo menino quer ser homem,
todo homem quer ser rei,
todo rei quer ser Deus e só Deus quis ser menino, quis ser gente com sede, fome e necessidades básicas de um ser humano.
Não me espanta a idela de que seu nascimento ocorresse em nossos dias, ele teria justamente o rosto do vizinho que a gente detesta.
Ou alguém da nossa família ou parentela que a gente não suporta. 
Ou de que ele estivesse naquele grupo do qual temos prazer em falar mal.
Ou de que ele parecesse tudo, tudo o que não se parece com o Deus que criamos velho, branco e de barba.
Deus quis ser gente!.
E sendo gente ele amou a gente e nos ensinou a ama gente como a gente; pois os verdadeiros discípulos seriam reconhecidos pelo amor que carregassem.
Precisamos amar, precisamos ser gente, isso sim seriam o novo nascimento.
Não podemos nos odiar pois onde há ódio não há Graça e onde há Graça não há ódio!.
O amor é o único dogma existencial estabelecido por Jesus.
Daí, na mesma medida, o ódio ser a maior blasfêmia.
Diante disso não tenho muito o que fazer.
Eu me rendo.
Eu me resolvo.
Eu me revivo.
Eu me refaço.
Por favor Deus, me ensine a ser eu.
Mas não eu, só eu.
Eu sendo você.
Eu sendo gente como deveria ser.
É a partir do que me deixo ser engravidado que dou a luz o bem desse sêmen chamado: amor.
Fique tranquilo, não é ele nem essa e nenhuma das imagens geográficas.
Mas inquiete se, poderia ser.
Deus quis ser gente!.
Que possamos escolher ser também.

sábado, 22 de abril de 2023

Assim é o Evangelho

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Sei o que a Bíblia é pra mim desde quando fui alfabetizado.
Sei o que as Escrituras Sagradas são pra mim desde que entendi que são como cartas de amor pra mim.
Sei o que a Palavra de Deus é pra mim desde que entendi que ela me revelou  a Palavra Encarnada.
Tudo ficou mais claro ainda quando entendi que Jesus é a chave para entender a bíblia e viver-la no chão da vida todo preceito de Deus.
Tudo está revelado e se revelando e,
há o que não sei, mas, um dia saberei.
Sei o que preciso saber e Ele me revelará tudo a seu tempo,
no tempo certo, no tempo dEle.
"Se não fora o Senhor que esteve ao nosso lado".
Essa é uma das expressões mais lindas e profundas das escrituras.
É magnífico quando olhamos para as nossas vidas e reconhecemos o(s) cuidado(s) dEle em nossos caminhos.
Reconhecemos essa perseguição implacável da Bondade dEle.
Reconhecemos que suportamos,
em determinados momentos,
vivências humanamente intransponíveis, e simplesmente nos rendemos em gratidão e fé,
sabendo que veio dEle a força que manteve nossos pés firmes.
Reconhecemos que, a despeito da cegueira estrutural que nos habita, dEle, Pai das Luzes, recebemos luz. 
Conquanto vacilantes, posto que somos limitados e amiúde ansiosamente hesitantes, mesmo assim confiamos naquEle que nos ama com Amor eterno e incondicional. 
Na prática, a grande questão é que Ele não esteve nem está meramente ao nosso lado, mas dentro de nós.
Assim é o Evangelho.


sexta-feira, 21 de abril de 2023

Poema sobre a paz

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Neste dia tenso, que tal uma etimologia de ‘paz’?.
A palavra paz vem do latim ‘pax’, de onde também vem 'pacto'.
Nas mitologias romana e grega,
a paz eram deusas, ‘Pax’, em Roma,
e ‘Eirene’, em Atenas.
Ironicamente, o altar da Pax ficava no Campo de Marte, deus da guerra. 
A ‘pax’ era sempre fruto de um ‘pacto’, mas nem todo pacto era pacífico.
Era a 'pax romana', paz para o império e violência para os povos.
Jesus quebrou essa lógica.
Ele disse: ‘eu trago a paz de Deus,
não a dos romanos’.
Ele abriu o caminho da paz e venceu a violência no seu próprio corpo. 
Para os cristãos, a ‘paz’ é graça divina.
Por isso, o cumprimento dos apóstolos era ‘graça e paz de Jesus Cristo’.
Não há caminho para a paz.
A paz é o caminho!'
A mesa modesta com paz é melhor do que a mesa farta com guerra.
O que não pode ser feito com paz no coração não merece ser feito.
A paz não é um destino, é uma decisão.
Somos nós que escolhemos se vamos passar por essa vida deixando um rastro de intrigas ou de misericórdia.
Em vários estudos meus sobre paz, amor e fé, eu percebi que a paz é uma das filhas de Deus.
Está no livro de Mateus que Jesus disse em sermão: “Felizes sempre serão os promotores da paz, com luzes angelicais filhos de Deus os tais são”.
Se queremos alcançar neste mundo a verdadeira paz teremos de começar pelo estado de espírito que vivemos;
e não será necessário lutar se permitirmos que o nosso estado de espírito seja pacificadora; não teremos de transmitir resoluções insubstanciais e infrutíferas, mas iremos do amor para o amor e da paz para a paz,
até que finalmente todos os cantos do mundo fiquem cobertos por essa paz e por esse amor pelo qual, consciente ou inconscientemente, o mundo inteiro clama.











quarta-feira, 19 de abril de 2023

Poema sobre o dia dos povos Indígenas

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Dezenove de abril é dia dos ameríndios 
há quase 80 anos em toda a américa 
terra sempre deles por eles mesmos
os irmãos aborígenes porque há 500 anos chegou o branco a ferro e fogo 
e fez da terra verde do rio azul vermelho sangue!.
os irmãos astecas guaranis e maias apaches e tupinambás ianomâmis e mapuches aimarás e carajás pataxós e ticunas aruaques e taínos foram misturados aos europeus brancos e vermelhos negros e amarelos no novo mundo e pagaram caro, pagaram a vida perderam tudo, perderam a língua, perderam os rios, perderam os filhos, perderam a mãe, perderam cultura. Empurrados p’ra lá
agora nós seguiremos o curso da morte
ou da vida?.
abraçamos?.
ou esquecemos?.
o Pai das etnias
o Tupã dos céus não!.
não esquece!.
perdão, irmão!.
perdão, mãe!.
perdão, irmão!.
perdão, astecas
maias e guaranis 
perdão, apaches 
gentes da terra
perdão, carajás
perdão, brancos,
mestiços e negros
perdão, irmãos!.
um dia não haverá
ódio e morte
será uma só família
no mundo novo
do tupã do céu!.

terça-feira, 18 de abril de 2023

Precisamos nos salvar

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Disse o Cristo, em tom profético,
que "devido ao aumento da maldade,
o amor de muitos esfriará"
e, segundo Ele, perseverar amorosamente neste mundo em que o amor entra em status de extinção
é caminho para ser salvo.
Viver num mundo em que o amor se esfria e sucumbi, requer uma salvação anterior àquela desejada para o céu.
Se Jesus disse que no princípio das dores as pessoas iriam se trair e odiar mutuamente que a maldade se alastraria e que o amor correria risco de morte, eu preciso, todos nós precisamos ser salvo para não ser vítima desse ódio, não ser propagador desse ódio e não ser encontrado entre aqueles que dedicam-se em matar o amor. 
Ser salvo dos outros e também ser salvo de mim.
Ser salvo dos efeitos do ódio e ser salvo dos danos pelo sumiço do amor.
Ser salvo do que a morte faz: interromper o fluxo amoroso da vida humana. 
Deus me livre de ser um daqueles que matam o amor.
Matar o amor é dar mais poder para morte, domínio este que já lhe foi tirada no calvário.
Nos lembremos então que em Cristo,
a morte não apenas morre, mais do que isso, ela também deixa de matar;
afinal, no maior ato de amor, a Vida decidiu triunfar sobre tudo, sobre todos e para sempre.

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Aprendi aprendendo e aprendendo aprendi

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Aprendi na jornada da vida que,
há o que dá certo e há o que não dá certo.
Há o que deu errado que, vezes,
é possível corrigir algo e vir a dar certo.
Aprendi que, a dor e a decepção do que deu errado é tão grande que,
mesmo que tenha havido o que deu certo, a tendência é dizer,
deu tudo errado, vezes, não há o que deu certo.
Vive melhor quem nunca terceiriza tanto o que deu certo quanto o que deu errado.
No meu caso não terceirizo nem pra Deus, deuses, diabo, demônios,
não, prefiro assumir e deixar claro que, tenho total participação em tudo que deu certo ou errado na minha vida.
Mas, uma coisa faço, não deixo o que deu errado contaminar o que deu certo.
Até porque, há até o que dá certo por um tempo, e da errado noutro tempo.
Saber discernir tempos estações,
ciclos, períodos, kronos e kairos é sinal de sabedoria e maturidade.
Aprendi aprendendo e aprendendo aprendi.


domingo, 16 de abril de 2023

Deus da minoria

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Deus nunca esteve em maioria,
ou precisou da maioria para fazer qualquer coisa.
É só olhar a história da Fé nas Escrituras.
Noé era um homem desviante em sua geração, Moisés um estrangeiro na corte de Faraó,
Abraão um errante que deixou sua própria parentela para seguir ao chamado do Senhor.
Davi, que era segundo o coração de Deus,
vivia solitário no campo,
onde aprendeu a viver pela fé,
e o mesmo sucedeu com José e Daniel,
que eram estrangeiros e minoria onde viveram. 
Os profetas, Amós, Joel, Isaías, Jeremias,
todos seres desconexos, confrontando reis e sacerdotes a voltarem aos Caminhos do Senhor.
E o que Dizer dos apóstolos,
que eram apenas 12, tendo o grupo maior um número insignificante,
120 pessoas.
Não, jamais houve maioria, Jesus deixou isso tão claro que o ufanismo beira a heresia.
Em Mateus 22 disse aos ouvintes que “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”,
em Lucas 12 chama seus discípulos de “pequenino rebanho” e novamente em Mateus, no capítulo 9, afirmou que era necessário pedir ao Pai para mandar mais “trabalhadores” para a seara, pois eles eram poucos.
Também o apóstolo João, num texto pouco compreendido, onde afirma: “maior é o que está em nós do que o que está no mundo”,
trata, notadamente, da qualidade da presença do Espírito Santo em nós,
não da quantidade”.
Essa ideia louca, de que “somos maioria”, é fruto de uma teologia baseada na vitória, no “Deus da guerra”, algo que reflete o quanto estamos distantes de compreender o mínimo que seja o Velho Testamento.
Mas talvez alguém me diga: “Olhe para o Cristianismo!.
Ele representa a religião com a maior quantidade de adeptos no mundo!”. Sim,
é verdade, mas quem disse que Deus é cristão, ou que Jesus tem algo a ver com suas doutrinas?.
Mulheres, pobres, negros, prostitutas e tantos outros sempre foram discriminados, mas Jesus veio e mostrou como eles devem ser tratados.
Este é o verdadeiro cristianismo: amor.
Portanto, o Reino de Cristo está fundamentado em amor para que os pobres, negros, prostitutas e tantos outros, ou mesmo aqueles que reconhecem a sua pobreza,
encontrem neste Reino, a verdadeira bem-aventurança que desfrutam os que recebem a Palavra do evangelho com humildade.



sábado, 15 de abril de 2023

Poema sobre o lado da igreja

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Porque a igreja é a igreja do crucificado?
E ela é solidária com os crucificados?.
Ela é uma comunidade plural, mas não pode ter na igreja nenhuma pessoa que diz assim:
"... Sou mais as pessoas de Roma que crucifica".
Você está na comunidade errada, porque aqui é a comunidade identificada e solidária com o crucificado.
"... Ah, eu estou do lado do senhor de escravo".
Você está na comunidade errada.
A igreja é a comunidade identificada com a cruz, o crucificado e com as vítimas da nossa sociedade.
Por isso que a igreja tem lado.
A igreja acolhe todo mundo mas ela sabe de que lado ela está.
Ela está do lado dos crucificados,
das vítimas sempre, sempre de quem sofre.
Sempre de quem sofre o abuso,
sempre de quem sofre a violência,
sempre de quem passa fome,
sempre de quem está chorando.
A igreja é sempre assim.
Isso é bom porque a igreja está do seu lado irmão!.
A igreja de Jesus é assim,
e a igreja de Jesus caminha agarrada na promessa da ressurreição e da vida.


sexta-feira, 14 de abril de 2023

O enganador que vive em mim

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A auto-aceitação é a essência do problema moral como uma perspectiva integral para a vida.
Que dou comida aos pobres,
que perdôo um insulto,
que amo meu inimigo em nome de Cristo;
todas essas são, sem dúvida, grandes virtudes.
O que faço para o menor dos meus irmãos,
o faço para Cristo.
Mas, e se descubro que o menor entre todos eles, o mais pobre de todos os mendigos, o mais pervertido de todos os infratores,
o próprio inimigo em pessoa; todos estão dentro de mim,
e que eu mesmo preciso das esmolas de minha benevolência; que eu mesmo sou o inimigo que precisa ser amado?.
Nesse caso, revertemos a atitude cristã.
Deixa de ser uma questão de amor ou longanimidade.
Dizemos ao irmão dentro de nós.
Condenamos e nos enfurecemos contra nós mesmos.
Escondemos isso do mundo;
nos recusamos até mesmo a admitir que encontramos esse menor entre os menores dentro de nós.
Quando aceitamos a verdade do que realmente somos e a submetemos a Cristo,
somos envolvidos pela paz,
quer nos sintamos em paz ou não.
Com isso quero dizer que a paz que excede todo o entendimento não é uma sensação subjetiva se estamos em Cristo, estamos em paz, mesmo quando não sentimos nenhuma paz.
Com a benevolência e a compreensão a respeito da fraqueza humana que somente Deus consegue mostrar,
Jesus nos liberta da alienação e da autocondenação e oferece a cada pessoa uma nova possibilidade.
Ele é o Salvador que nos defende de nós mesmos.
Sua Palavra é liberdade.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Poema sobre o Revolucionário

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Jesus era um revolucionário. 
Um revolucionário desarmado,
que nunca pegou numa espada,
exceto aquela vez com o chicote,
mas não para ferir ninguém,
senão para destruir o mercado profano dentro do templo. 
Jesus colocava todos em pé de igualdade.
Homem,
mulher,
centurião,
soldado,
ladrão,
adúltera e escrevia no chão os pecados que todos um dia cometeram para se darem conta de que não estavam em posição de julgar ninguém.
Jesus incomodava na mesma intensidade em que cativava. 
Jesus fazia parte da revolução que morre e não dá que mata. 
Ele dizia que se a semente não morresse, não geraria vida. 
Amou tanto a ponto de se entregar,
se ofereceu como sacrifício intencional e não por falta de opção.
Alias, segundo ele mesmo, poderia naquela hora do madeiro convocar milhares de soldados celestiais para resolver mas não o fez. 
Inclusive, quando Pedro tentou dar uma ajuda na tentativa de defende-lo com uma espada, ferindo um soldado romano, Jesus pede a Pedro para guardar a arma, e ainda toca na orelha do seu malfeitor, curando-o. 
Jesus era assim, um absurdo. 
Refletindo nessa revolução dos que se entregam, muito me preocupa essa geração de seguidores de Jesus com a pistola na cintura.
Será que não entenderam a mensagem?.
Quantos hoje não sairiam as ruas armados ate os dentes para defender o Cristo?.
Até quando vai ter gente matando gente em nome de Jesus?.
Ele morreu para que tenhamos vida e muita vida.
E essa vida é aqui agora, não depois em algum céu ou plano espiritual. 
Portanto, se existe alguém perto de você que não esteja vivendo em abundância, a páscoa não chegou ate ela.
Cabe a você, assim como Jesus fez,
abrir mão de si mesmo, doar-se,
morrer um pouco para gerar vida ao seu redor. 

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Eu sou o problema

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O maior problema sou eu não o outro.
É comigo que tenho que lidar primeiro quando acordo e saio pra vida até quando me deito.
É com meus pensamentos bons e ruins,
é com meus desejos bons e ruins,
é com minhas lembranças boas e ruins, é com minha rotina do que gosto e do que não gosto,
é com meus medos, é com minhas obsessões,
é com minhas compulsões, é com meus sentimentos bons e ruins,
é com minhas sensações boas e ruins, enfim é comigo que lido todos os dias e todo tempo.
É a partir deste incansável lidar comigo mesmo que me habilito a tentar lidar com o outro em perspectivas melhores.
É admitindo a mim mesmo como ser falível que tento dar conta das demandas que me chegam o tempo todo.
É muitas vezes confessando que errei, que não dei conta, que não consegui, que não sei,
que consigo me solidarizar com o outro.
É comigo que tudo começa,
o bem e o mal, é a partir desta escolha, digo, do que vou potencializar e permitir que seja potencializado em mim cada dia,
o bem ou o mal,
que vou tentando dar conta de mim mesmo e do que me chega às mãos pra fazer.
Pra isto, conto com o Espirito Santo que me habita e, com amigos que me assessoram em amor,
aplicando mínimos de bom senso a tudo que penso, que falo,
que escrevo, que faço ou deixo de fazer.
É comigo que tudo começa, bem ou mal, sim,
é a partir de como olho a vida, o que permito que entre pra dentro de mim a partir do que ouço, do que leio e do que permito me habitar.
É a partir do que me deixo ser engravidado que dou a luz o bem ou o mal. "

terça-feira, 11 de abril de 2023

Mais do mesmo

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Os privilégios brancos não têm limites num país com 388 anos de escravidão dentro da lei.  
Sandra Mathias atleta do vôlei,
dona de escola de vôlei,
supervisora do Comitê Olímpico Brasileiro,
branca,
rica,
moradora de São Corado, agrediu homens pretos e uma mulher preta, entregadores, moradores da Rocinha, deu chicotadas, empurrões, chutes.
Tudo filmado.
E segue em LI - BER - DA - DE.
Se qualquer uma das vitimas, pretas, tivesse reagido como Sandra estaria presa, já teria passado por audiência de custódia e um juiz branco BRANCO e muito rico já teria encaminhado para Bangu.
Só existem pessoas como sandra, porque temos um judiciário e um legislativo focado em causa própria e uma sociedade que se pensa consequentemente.
Nem está em chamas o apartamento de sandra e ela continuará passeando com seu cachorro e vomitando seus ódios e seus racismos e votando na extrema direita.


domingo, 9 de abril de 2023

Um novo significado

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A Páscoa para os Judeus significa “passagem”, “travessia” na qual lembram a libertação da escravidão no Egito, comendo pão sem fermento, ervas amargas e cordeiro, e bebendo vinho.
No entanto, Jesus deu um outro significado para a Páscoa.
Jesus Cristo trouxe a “boa-nova”, esperança de uma vida melhor,
trouxe a receita para que o povo se libertasse dos sofrimentos e das maldades praticadas naquela época.
A morte de Jesus Cristo representa o fim dos tormentos.
A Cruz, então, é uma ponte,
não um destino.
Pra onde?.
A resposta vem do próprio Cristo:
“Eu vim para que vocês tenham vida,
e a tenham em abundância”. 
O sentido da fé não está em transcender a realidade cotidiana,
mas em entrar nela com ousadia.
Assim se vive em plenitude,
assim se experimenta o reino de Deus num grão de areia ou na contemplação de uma estrela, assim se extrai o melhor desta jornada, às vezes dura e dolorosa,
mas sempre extraordinária.
Diante disso, a Páscoa deveria nos impulsionar em trazermos mais pessoas para a mesa e não expulsarmos quem Jesus quis ter por perto.
De igual modo, nada deveria ser mais valioso e habitual para nós do que partir o pão até com quem nos traiu covardemente.
Por fim, se aprendermos com o Mestre que diante do pecado alheio a única coisa que devemos demonstrar é graça, nossos dedos estarão menos em riste e nossos joelhos mais dobrados ao chão enquanto lavamos os pés de quem Jesus decidiu amar.
Portanto a Páscoa para Jesus significa ressurreição, boas novas, nova aliança para que seja feita uma nova massa sem o fermento da maldade e da perversidade.
Nova Páscoa com os ázimos da sinceridade e da verdade porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.











sábado, 8 de abril de 2023

Falta de compreensão

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Para Jesus e seus discípulos,
era noite de celebrar a Páscoa judaica, na qual lembram a libertação da escravidão no Egito, comendo pão sem fermento, ervas amargas e cordeiro,
e bebendo vinho. 
Mas tudo termina com um outro momento, para mim,muito significativo.
Depois de celebrar a ceia, prevendo sua morte como ato expiatório,
um Jesus angustiado pelo que há de enfrentar, quer orar.
Ele convida os discípulos a acompanhá-lo até o Monte das Oliveiras, onde fica o Jardim do Getsêmani.
Eles seguem em silêncio, refletindo sobre tudo que Ele havia dito na mesa do jantar.
Eles se esforçavam, mas não compreendiam.
Eles sobem o morro, lentamente.
Já na praça, Jesus pede que fiquem ali e esperem por ele.
É um momento de solidão necessária.
Ele desaparece atrás de uma oliveira, confere para ver se não o observam,
e desaba. 
De joelhos, com o rosto entre as mãos, perto do chão, suando embora estivesse branco como cera e gelado de pavor, com o coração saindo pela boca, Ele permanece assim por tempo suficiente para que chegue a madrugada.
Uma lua cheia ilumina o Monte das Oliveiras e seu abandono.
Sua oração  não era piedosa, nem de mãos postas; era um desesperado grito de socorro e de livramento.
Quando se põe de pé novamente,
o horizonte já se tinge de vermelho, anunciando o pior dia de sua vida.
Ele volta para onde havia deixado os seus e os descobre pegados no mais profundo sono.
Foram vencidos pela comida, pelo vinho e pelo esforço de tentar compreender o que Ele lhes havia dito à mesa.
Os seus o abandonaram.
E isso continua acontecendo até hoje.
Enquanto Ele fala, pegamos no sono, levados por nossa embriaguez e falta de compreensão.

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Esta consumado

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Jesus amanhece preso.
Desde a madrugada parece que o inferno foi liberado para infringir a Ele as  mais torturas físicas e psicológicas para que, se valendo do pior que há em nós, Ele simplesmente desista.
Desista de nós. 
Lembro que em outras ocasiões estressantes, Ele bradava “geração perversa!.
Até quando vou suportar vocês?” 
Mas hoje Ele permanece mudo.
Calado.
Negando se defender.
Permitindo que os político-religiosos sempre eles sacrificasse um inocente, impondo-lhe um pacote de maldades.
A inveja,
o ciúmes,
o ódio,
a traição e a covardia.
O prazer psicopata na violência gratuita, o escárnio homicida,
o cinismo,
a vingança e a mentira. 
E tudo que não presta em nós une forças ilimitadas contra o Homem que alega nos amar sem limites. 
Ele quer ir até o fim.
Vai tentar!.
As pessoas pagaram pra ver!.
E viram!.
Viram que Ele suportou até gritar pro universo: “Está feito!.
Tudo pago, tudo consumado,
tudo resolvido, tudo perdoado”!.
E quem vive nessa Fé morreu com Ele naquela sexta para tudo aquilo que o condenou!.
Quem com Ele foi crucificado hoje recebe a garantia de que ressuscitará domingo!.
Hoje!.
Dia de limitar sentimentos hostis.
Dia de refletir como posso fazer ressurgir minha melhor humanidade!.
Dia de não desistir de si.
Nem dos outros, pedindo que Deus perdoe-lhes porque não sabem o que fazem por mais que saibam o que fazem.
Hoje!.
Tem abandono,
tem traição,
tem tortura,
tem dor,
tem crucificação,
tem morte.
No sábado tem o silêncio da sepultura, tem angústia,
tem incerteza,
tem escuridão de tumba. 
No domingo tem ressurreição,
tem vida,
tem recomeço,
tem alegria,
tem esperança.
Há que haver morte para que haja ressurreição.
Há que haver o silêncio do sepultamento para que renasça a manhã da nova vida. 
Há que haver esperança de que tudo tem seu tempo certo para acontecer. 
Deixe morrer em você o que precisa morrer.
Respeite o silêncio do sepultamento de suas dores e do passado.
Reviva com a alegria da ressurreição!.




Poema sobre a Sexta-feira Santa

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A sexta-feira dos judeus começa na quinta-feira às seis da tarde e termina na sexta à mesma hora ao entardecer.
Portanto, na última sexta-feira de vida físico, terrena de Jesus Ele foi traído.
Traído, negado e deixado pelos Seus amigos!.
Assim, do ponto de vista psicológico, relacional da Páscoa de Jesus,
tem-se a sexta-feira das traições, negações, abandonos e maus tratos; tem-se o sábado do silencio do Traído,
o choro dos negantes e a morte por suicídio de um dos traidores emblemáticos, Judas; e no domingo tem-se o grito do Traído vencendo todas as traições com a força da Ressurreição, que perdoa a todos os cativos da morte; posto que a morte,
ou o medo de morrer, sejam os fatores que, associados à inveja, frustração ou qualquer outro sentimento que decorra do medo da morte ou da necessidade de não perder a vida ou a oportunidade da existência façam as pessoas,
por caminhos diversos, traírem, negarem ou fugiram do amor antes confessado.
Assim, se a Páscoa nos fala da Libertação da morte e do medo de morrer, bem como nos anuncia a vitória da Ressurreição sobre as garras da morte, do mesmo modo nos fala de nós mesmos; sim, do nosso poder de negar e de trair; bem como do nosso poder de ressuscitar mortos pela via do perdão.
Quem nunca foi traído por algum amigo ou por vários deles?.
Eu já fui traído muitas vezes, e já trair amigos que ainda hoje são os melhores amigos pelo poder da Ressurreição.
Sim, pois Perdão é Ressurreição!.
No Evangelho Perdão é o poder que Ressuscita os que se suicidaram ante os nossos olhos, ou que nos traíram quando antes nos confessavam apenas amor.
Os temas de tais traições são diversos, bem como sua gravidade ou intensidade destrutiva.
Sim, pois há as traições que negociam você, como fez Judas; e há as traições que negam você, como fez Pedro;
e ainda há a traição dos que fogem de medo, racionalizando.
Quem me lê e me entende; e esse Ressuscita os mortos; posto que os traga de volta à vida pelo Perdão que ressuscita.
Que todos sejam perdoados Nele,
que Ressuscitou para me perdoar eternamente, e para me dar o poder de ressuscitar os que se mataram ante os meus sentidos.
Façamos isto em memória dEle.
O Domingo está chegando, há esperança!.




quinta-feira, 6 de abril de 2023

A maldade humana que não tem limites

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Nos últimos anos a sociedade foi adoecendo ainda mais,
sendo ensinada a resolver as coisas com violência, eliminando seus inimigos.
Discursos de ódio contra a escola, contra professores,
com a ideia de que o ambiente escolar é antro de maconheiro e os professores são infiltrados político.
Foi nesses últimos anos que as células neonazistas mais cresceram,
e eles mobilizam os jovens de alguma forma.
Jovens e crianças estão dentro de suas casas ouvindo seus pais destilando todo tipo de ódio, aplaudindo a justiça com as próprias mãos, elogiando torturadores e votando em quem defende o extermínio de quem a gente considera inimigo.
As crianças crescem absorvendo a ideia de que matar é algo natural quando feito por uma suposta “boa causa”.
Eles percebem que tirar a vida de alguém não é algo tão bárbaro assim.
A violência foi naturalizara, e os jovens perderam a noção da importância da vida.
Quando é naturalizado e defendido friamente a morte de quem quer que seja, o significado da vida se derrete.
E, praticar assassinato, seja por ódio, seja por um desafio de algum jogo macabro, seja pelo motivo que for, matar se torna natural,
pois a vida não teria todo esse valor.

Todos morremos um pouco

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Só a ‘tristeza’ define o nosso sentimento ante o massacre de crianças na creche de Blumenau!.
Amanhã será outro dia,
mas jamais seremos o mesmo!.
Porque a ‘tristeza’ inundou nossos corações! 
De onde vem a ‘tristeza’?.
Como se formou a palavra que expressa esse sentimento?.
A etimologia da ‘tristeza’ é tão nublada quanto a emoção. 
Cores,
dores,
grãos,
pó,
pedaços.
Tudo isso faz parte da ‘tristeza’,
essa coisa que nos tritura por dentro, consome a alma.
Faz anoitecer o dia.
Mas amanhã será outro dia.
Enquanto isso lembraremos sempre desse dia nos triturando com sinais de adoecimento galopante.
Todos morremos um pouco com essa violência.


quarta-feira, 5 de abril de 2023

Poema sobre a creche em Blumenau

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Hoje é um daqueles dias em que me recolho no silêncio.
Desde antes do almoço,
quando a notícia da barbárie nos tirou a todos o sossego e nos levou a sensatez, que não encontro palavra.
Meu dicionário está vazio de palavras e, especialmente, de sentido. 
Só um nó e uma pergunta martela minha mente:
Como pode que se replique o mal,
como tem acontecido em várias escolas nos últimos tempos.
Por que não replicam o amor?.
Me incomoda ainda mais que muitos preferem agredir e odiar o padre Júlio Lancelotti, que nos ensina a amar sem balança.
Podiam imitá-lo, não?.
Mas, parece que preferem repetir atentados, feminicídios, violência, agressão racial.
É só cair na boca da mídia, que já outro fato ainda mais grave se repete.
Por que?.
Tem uma história, que vem do campo de concentração de Ausschwitz,
onde três detentos foram condenados à forca diante de todos os detentos.
Os dois mais velhos morreram logo, assim que penderam.
O terceiro, um jovem, se debateu e debateu, em longa agonia.
Um detento perguntou a outro: Onde está o teu Deus agora?.
Por que ele permite coisas assim?.
O que assistia ao seu lado, ficou pensativo e respondeu: O meu Deus está lá, pendurado naquelas cordas.
Deus não nos abandonou.
A cruz de Cristo é Deus pendurado lá,
se solidarizando com as nossas dores e com as tragédias causadas pela loucura humana.
Que o Deus crucificado nos abrace e nos console em nossas dores e em nossa incompreensão do que aconteceu na creche hoje pela manhã.
Que o Deus da cruz não nos faça investir numa escalada de violência.
O Deus solidário é que nos ajudará a mudar este mundo louco,
que prefere repetir os maus exemplos, em vez de praticar e viver o amor.
Que o Deus solidário, ali, pendurado naquela cruz da Sexta-Feira Santa,
nos torne solidários também.
Olhemos as dores dos outros e os abracemos.
Não suporto mais as notícias de violência.
Me quebra ao meio saber que criancinhas são assassinadas pela cultura da violência que nos dominou.
Me ira lembrar das frases de defensores de governos tirânicos e mais ainda me lembrar dos representantes do povo simulando armas e gritando frases de morte.
Me ira, sobretudo, quem fingiu que não viu, por conveniência qualquer.
Gente que escolheu conviver com o lado mal de si, que resulta agora na matança de pequeninos por gente imersa na insanidade da violência terrorista.
Blumenau sofreu hoje seu atentado mais escandaloso.
4 crianças mortas à machadadas.
Não consigo entender.
Me lembro que "por causa da iniquidade, o amor se esfriará em quase todos".
Oro para que não se esfrie em mim.
Deus foi morto em Blumenau.
4x até agora.
Meu Deus não mata, morre.
E ressuscita em cada coração que se deixa vencer de amor.

terça-feira, 4 de abril de 2023

Pelos frutos os conhecereis

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Jesus disse “Pelos frutos os conhecereis”.
Algumas pessoas pensam que esses frutos são os “Frutos da Igreja”.
Ir na vigília de oração,
participar do culto de doutrina,
tomar a ceia,
ler a Palavra,
fazer evangelismo,
jejuar,
ir na escola bíblica,
ou seja, os frutos acabam se resumindo a uma agenda eclesiástica,
são frutos bichados!.
Quem dá esse tipo de “fruto”, adequa-se as regras comportamentais e fica em dia com a medição do “trabalho na obra”, é um sistema de organização do sagrado, nada pode produzir senão engano e tristeza.
Por isso vemos tanta gente que já leu a bíblia inteira, mas nada entendeu sobre a mensagem, ou os que fazem orações irretocáveis, com retórica e eloquência, mas sem ter experimentado a graça e a misericórdia como expressão do amor que vaza do coração.
Fruto, no Evangelho, não é fazer,
é ser, pois o bem aventurado é aquele que é!.
Sim, fruto é paz, alegria, mansidão, generosidade, solidariedade,
fruto é chorar pelas dores da Terra,
é afeiçoar-se dos excluídos,
é vencer preconceitos, é perceber-se como gente do bem, da verdade e da justiça.
O mais, digo com tristeza, é apenas a performance da religião sendo exibida no teatro do templo, a nudez da figueira recoberta de folhas, flagrada em plena performance, mas esvaziada dos frutos da vida.

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Poema sobre as academias

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A academia seduz.
Não só aquela que forma os músculos, mas a que forma pensamentos.
O vício na academia é chamado de academicismo, em que a pessoa não consegue fazer com que as ideias saiam para a vida.
Quando sai, muitas vezes viciado, o acadêmico traz o academicismo junto e arrasta consigo um comportamento arrogante, uma linguagem incompreensível, um discurso completamente lógico mas sem qualidade no cotidiano das pessoas simples.
Gosto de como Jesus tratava os acadêmicos de seu tempo.
Ao ser questionado, retrucava: você sabe.
Como você aplica o que sabe?.
E no caso da pessoa insistir num debate que não traria nada de relevante ao viver urgente, Jesus contava um causo, uma parábola, e sentenciava: Entendeu?.
Então vai lá e faz.
Com o advento da Internet, muitos de nós encontramos um ambiente para difusão de ideias.
Enquanto discípulos de Jesus,
no entanto, rompermos o ambiente das idealizações para uma prática do que se discerniu.
Uma falação atraente que não rompe os muros do intelecto para gerar vida.
Vira ladainha.
Passa a atrapalhar na promoção das causas da vida humana.
Marx afirmou que "os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas formas; o que importa é modificá-lo".
Hoje, curiosamente, muitos ditos marxistas mais filosofam do que praticam, viciados na ideia, sem ideal.
Conheço muita gente com pensamento apurado, gente que quer mudar o mundo sem coragem de arrumar o quarto.
São incapazes de mudar a própria realidade, quanto mais enfrentar as mazelas da sociedade.
Inventando neologias, vão de congresso em congresso para pensar a vida sem vivê-la, preocupados no modo correto de expressar um novo conceito.
Einstein dizia que "Se você não pode explicar algo de forma simples,
então você não entendeu muito bem o que tem a dizer".
Ora, quem não entende o que têm a dizer, como entenderá o que se têm de fazer?.
É muito conceito para pouca prática.
Como cansa essa masturbação intelectual que teme a transa real e cheia de tesão na vida!.

domingo, 2 de abril de 2023

Poema sobre o Domingo de Ramos

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Havia uma expectativa no ar.
Todos comentavam entre si que finalmente chegara o dia em que o Messias tão esperado adentraria triunfantemente em Jerusalém; dirigindo-se ao palácio, deporia Herodes, o rei fajuto, marionete do império romano.
Um jovem galileu surgira na periferia, fazendo milagres, exorcizando demônios, alimentando multidões. Além de tudo, pertencia à linhagem real.
Só poderia ser Ele, o filho de Davi,
que libertaria Seu povo do domínio romano, e assumiria o trono do qual era herdeiro.
A cidade estava em polvorosa.
Munidos de ramos, todos dirigiram-se ao portão principal para dar boas vindas ao que vinha em nome do Senhor.
HOSANA!.
Os tempos áureos voltaram!.
Viva o Filho de Davi!.
De repente, desponta no horizonte um figura doce, serena, montada num jumentinho.
Seus discípulos O precediam e engrossavam os brados de hosana.
Acostumados em assistir às paradas triunfais, em que reis e generais se apresentavam montados em extravagantes corcéis, a imagem d’Aquele galileu montado num jumento era, no mínimo, frustrante.
Mesmo sem entender direito o que acontecia, os brados de hosana se intensificavam.
Talvez aquilo fosse um recurso cênico, visando identificá-lO com as camadas mais pobres e oprimidas da sociedade.
Ninguém podia supor que o jumentinho era emprestado.
Ao atravessar o portão da cidade,
todos imaginavam que Ele Se dirigiria ao palácio, liderando o povo para um golpe de estado, mas em vez disso,
Ele toma o lado oposto, e Se dirige ao Templo.
Possivelmente muitos pensaram que Ele faria uma breve escala no templo, a fim de legitimar Seu motim, buscando apoio da casta sacerdotal.
Inusitadamente, Sua feição é transformada.
O galileu humilde montado num burrinho, agora improvisa um chicote, um azorrague, adentra os pátios do templo, e de lá expulsa os cambistas e mercadores.
Os brados de hosana foram substituídos por burburinhos.
Todos estavam enganados em suas expectativas.
Ele não estava interessado em ser unanimidade.
Não buscava apoio dos sacerdotes,
nem dos dos principais partidos religiosos.
O reino que Ele representava não propunha mudanças que começassem pelo palácio, mas pelo templo.
A Casa de Seu Pai estava sendo profanada, transformada num mercadão a céu aberto.
Antes de instaurar a ordem do reino, aquela “ordem” teria que ser subvertida.
Mesas de pernas pro ar!.
Gaiolas abertas!.
Cambistas expulsos!.
O mesmo Cristo do jumentinho é o Cristo do chicote.
Não confunda Sua humildade com passividade.
Ele jamais fez vista grossa às injustiças dos homens.
Depois de limpar o terreno, cegos e coxos Lhes são trazidos, e Ele os cura ali mesmo.
De repente, o silêncio é quebrado por brados de hosana, que desta vez vinham dos lábios de crianças.
Os sacerdotes, indignados, perguntam se Ele não se incomoda com aquilo. Jesus responde: Vocês jamais leram?.
Da boca das crianças é que sai o mais puro louvor.
Repare nisso: Os hosanas bradados à entrada de Jerusalém não mereceram qualquer comentário de Jesus. Entretanto, Ele sai em defesa das crianças que O louvavam com a mesma expressão.
Por quê?.
Porque estes eram legítimos, desprovidos de interesses.
Os hosanas de quem O recepcionou à porta da cidade foram interrompidos, tão logo Jesus feriu seus interesses.
Os mesmos lábios que O enalteciam, dias depois clamavam por sua crucificação.
Quão volúveis somos nós, humanos.
Num dia aplaudimos, noutro vaiamos.
Quem hoje é unanimidade, amanhã é execrado. 
Aqueles O louvavam por imaginarem que Jesus planejava um golpe político,
e que, em posse do trono, romperia relações com Roma, reduziria a carga tributária, e restabeleceria a monarquia de Davi.
Mas Jesus tinha em mente outro tipo de revolução.
Somente as crianças estavam prontas para isso.
Naquele momento, Jesus Se tornou no super-herói da meninada.
Só Ele teve a coragem de desafiar o status quo.
Só Ele ousou enfrentar os que detinham o monopólio religioso.
Enquanto as crianças O louvavam,
os adultos, indignados, já pensavam em como detê-lO.
Foi esta postura subversiva que Lhe custou a vida.
Começava ali a contagem regressiva para que o Cristo subversivo fosse morto, não por defender uma ideologia, mas um ideal, o ideal do Reino de Deus.
Desde então, o grito de “hosana” deveria ter conotação subversiva,
e não ser mais um jargão religioso.
Que seja o hosana das crianças, dos representantes do futuro,
aqueles para os quais é o reino dos céus, e não o hosana dos interesses inconfessáveis, do monopólio,
da religiosidade insípida, do jogo político.
É triste e revoltante ver tantos cristãos deixando seus cultos dominicais portando ramos nas mãos, sem com isso serem cúmplices de Deus na instauração do Seu reino.
Que a religião instituída desista de tentar domesticar Jesus.
Que ninguém se atreva a reduzir Sua agenda às nossas expectativas e paixões ideológicas.
Aos líderes evangélicos que fazem coro com o que há de mais perverso no cenário político brasileiro, preparem-se para receber uma visita relâmpago de Jesus em suas próprias igrejas.
Assim como os cambistas transformaram o pátio do templo num mercadão a céu aberto, muitos estão transformando a igreja em curral eleitoral.
O Cristo que derruba mesas, também derruba púlpitos e altares.


sábado, 1 de abril de 2023

Poema sobre a encarnação do Verbo

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No princípio era o evangelho e o evangelho era Cristo e Cristo falava de vida. 
Ele veio para todos, mas nem todos o aceitaram 
mas todos quantos o aceitaram
foram adotados como filhos de Deus e eles creram na loucura do evangelho e Cristo lhes deu vida, esperança e amor.
E lhes deu do seu Espírito.
E lhes prometeu a cidadania no reino de Deus
Todos os grandes eram pequenos todos os ricos eram pobres e todos se amavam e esperavam o novo reino.
Mas o evangelho virou religião e a religião assentou-se nos tronos e os tronos prometiam poder.
A religião veio para o Estado, mas nem todos a aceitaram.
Mas a todos quantos a aceitaram, deu-lhes o poder sobre as almas dos homens e o Estado agarrou a loucura da religião oficial.
E os tronos lhe deram dinheiro,
poder e fama.
E lhes mesclou o espírito. 
E lhes prometeu todos os reinos do mundo todos os ambiciosos se ajoelharam 
todos os grandes beijaram a mão mas os pequenos resistiram.
E guardaram o evangelho de Cristo.
Depois o evangelho virou ciência e a ciência ocupou as academias e as academias prometeram a luz da razão. 
Ela veio para os eruditos, mas nem todos a aceitaram mas a todos quantos a aceitaram
deu-lhes a ilusão de saber e os eruditos tentaram prender a fé e a academia lhes deu títulos, cátedras e anéis e lhes confundiu o espírito e lhes prometeu o domínio de Deus.
Então os eruditos perderam a fé muitos doutores perderam o caminho mas os filhos contemplaram o mistério e continuaram na esperança do novo reino.
Depois o evangelho virou império e o império converteu a religião e a religião serviu o império. 
Ele veio para controlar, mas nem todos se submeteram mas a todos quantos se submeteram
deu-lhes a coroa e cetro. 
E os imperadores se tornaram deuses e os deuses se tornaram imperadores e lhes inflou o espírito e lhes prometeu o supremo poder.
Então o império matou a fé e muitos morreram com ele mas os humildes da terra aguardavam um novo reino.
E evangelho foi levado à guerra e encheu o mundo de armas e por ele se derramou muito sangue. 
A guerra veio para os heróis, mas nem todos a aceitaram mas a todos quantos a aceitaram 
deu-lhes escudos, batalhões e dor.
E os cruzados impuseram a fé e encheram a terra de cruzes. 
E se lhes amargou o espírito. 
E julgaram implantar a 'pax religioni'.
Muitos guerreiros viraram pastores e muitos pastores se tornaram guerreiros mas os pacificadores resistiram e amaram a mansidão do novo reino
O evangelho também foi tribunal e o tribunal julgou deuses e homens condenaram corpos e almas. 
O julgamento caiu sobre todos mas nem todos o aceitaram e todos quantos não aceitaram foram julgados, queimados e apedrejados.
E o tribunal inquisitório deu plenos poderes e os constituiu juízes dos deuses. 
E lhes corrompeu o espírito. 
E quiseram julgar até Deus.
Muitos foram excluídos da fé mas os justos perdoavam porque haviam sido perdoados e aguardavam o reino.
Então, o evangelho virou cultura, e a cultura se espalhou pelo mundo. 
E a cristandade definia a cultura veio para os europeus, mas o novo mundo a recebeu e a todos quantos a receberam 
deu-lhes a primazia da escolha.
E a cultura virou moda. 
E lhes deu ideias, arte e espaço. 
E liberou todos os espíritos e lhes criou seu próprio Deus. 
A cristandade prosperou.
E quiseram recriar o paraíso. 
Mas os simples continuaram crendo na simplicidade do reino de Deus. 
E fizeram do evangelho dinheiro e o dinheiro comprou o evangelho e o evangelho deu lucro.
Veio para atender os mercadores, mas alguns temeram.
Mas a todos quantos o aceitaram 
deu-lhes o mercado. 
E muitos gostaram do dinheiro e lhes deu marcas, audiência e poder e entristeceram o Espírito e cobravam pelo reino de Deus. 
Muitos foram feridos e escandalizados.
E a fé se tornou produto, lucro e negócio. 
Mas os filhos de Deus não aderiram.
Porque esperavam o reino que vem.
No princípio era o evangelho e o evangelho era o próprio Cristo e Ele se fez homem e habitou entre nós e vimos a sua formosura, formosura como do próprio Deus. 
Cheio de graça e verdade. 
Mas a verdade perturba.
E a graça ofende.
Mas todos quantos recebem ainda são adotados na família de Deus. 
O evangelho é tão somente evangelho vida de Deus na fraqueza humana.
Porventura, quando vier o reino haverá esperança?.
Que haja, Senhor, esperança dos mansos da terra.
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus encarnado em Jesus para reconciliar o mundo.
A encarnação de Deus nos conecta de volta a ele, pois ao vivenciar tudo que vivenciamos, ele se torna um de nós.
E quando apenas um de nós vive sem pecado, então todos nós somos santificados.
Quando Deus se encarna e vive na pele o que nós vivemos, ele une terra e céu.
Na Cruz Deus está dizendo que o perdão já existe desde a fundação do mundo, e de Graça.


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