segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Poema sobre a morte de Guilherme de Pádua

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Guilherme de Pádua morreu faz tempo!.
Deve ter morrido antes de matar Daniella Perez.
Deve ter morrido também enquanto assassinava Daniella Perez.
E morreu mais ainda depois que matou Daniella Perez.
É mais ainda depois que “pagou” pelo seu crime.
Foi uma morte só a vida desse moço, que morreu ainda mais depois que se tornou pastor.
Poderia ter morrido, no sentido mais cristão e mais nobre do termo,
se tivesse recusado esse papelão.
Mas como sempre flertou com a morte, aceitou: virou pastor.
É justamente porque nunca morrera de verdade que o Guilherme passou a vida morto e morrendo.
Ontem, foi sua mais humana e honesta das mortes.
Entre seu nascimento e morte,
tudo foi um trágico,
deprimente e tétrico teatro.
Até o anúncio de sua morte por um pastor foi teatral. 
“Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”, disse Jesus a um ladrão arrependido dependurado numa cruz ao seu lado.
A única demanda daquele ladrão foi “lembra-te de mim” lá do outro lado.
A sorte daquele ladrão foi ter encontrado Cristo, não os cristãos. Cristo, não o cristianismo.
A vala, não os Valadões.
É nas valas que as águas vivas correm. 
Talvez morto, Guilherme teria vivido mais.
Seria dura e dolorosa, mas seria vida.
Talvez ele nunca dissesse “cumpri minha pena”.
Mas ele disse!.
Quem está arrependido mesmo por ter matado alguém, ainda mais como ele matou, nunca diz “cumpri minha pena”.
Se diz isso, é porque não se arrependeu. 
Triste demais a morte de Guilherme de Pádua, não a de ontem,
mas a morte de uma vida inteira.

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