terça-feira, 27 de junho de 2023

A verdade

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Tenho observado, e cada vez mais, como as pessoas precisam criar mundos paralelos para sobreviver ao pragmatismo da vida real.
O tempo no qual existimos é cruel,
não temos mais a barbárie do mundo antigo, a arena de nossos dias são as redes sociais, lá você pode ser ovacionado ou jogado às feras,
entre uma coisa e outra, apenas a circunstância, o herói de hoje pode ser o vilão de amanhã, as pessoas perderam suas narrativas, valem pelo fato que protagonizam, para o bem e para o mal, por isso tantos estão vitimados pelo medo mórbido de se achar sozinho.
Vivemos atravessados pela violência, por um mercado de trabalho injusto, preconceito, racismo, pela ideologização política, pela fome,
são tantos os problemas da sociedade contemporânea que um livro não os caberia.
Ouço regularmente pessoas; lido com suas frustrações e medos, percebo suas "rotas de fuga”, observo como são capazes de desviar da verdade,
como se viciaram no escapismo, criando na mente “mundos” que não existem e a partir disso vão afundando cada vez mais, o “fake” vira “fato”, a pessoa adentra no baile de mascarados.
Jesus lidou com esse drama no seu trato com os judeus.
Aquela gente vivia o modelo mais perverso de espiritualidade, escondiam-se da verdade e da justiça, deliravam entre liturgias ocas e ritos de ocasião, criaram para si uma divindade que só existia em sua própria devoção. “... Mas, ao contrário, agora procurais matar a mim, um homem que vos tem declarado a verdade...”.
Ao chamar aquelas pessoas ao confronto honesto, de tal forma que pudessem se enxergar e, assim, ver a luz de Deus, despertou todo tipo de sentimento homicida e de vingança.
A religião, como ópio que é, não produz outra coisa a não ser monstros que amam odiar, eles se escondem por detrás de comportamentos estéticos, mas vivem em mundos sombrios, fogem de toda luz que possa mostrar-lhes quem eles, de fato, são.

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