quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Poema sobre a nova aliança

.






Na Velha Aliança Deus prometeu ao povo de Israel uma Terra onde eles pudessem habitar, mesmo ela estando povoada por povos inimigos, que precisaram ser desalojados.
Canaã foi um lugar de descanso após 450 anos de escravidão no Egito,
um território para que a Nação pudesse se estabelecer e se desenvolver.
Em Jesus, contudo, na Nova Aliança,
a proposta foi outra, ele nos desafia a habitar um lugar onde o chão é a consciência, não há mais qualquer tipo de geografia ou fronteiras, a conquista se dá a partir de nosso mundo interior,
onde os inimigos não são mais de carne e sangue, constituem-se em pensamentos e ações que atentam contra Deus e contra a sua criação.
Sim, em Jesus, o chamado é para a liberdade da escravidão do pecado, alegorizado por João como sendo a Babilônia, um sistema perverso que impõe valores e princípios que atentam contra tudo o que for justiça e verdade.
Portanto, no Evangelho, a proposta é que todo lugar seja sagrado e todo caminho santificado por aquele que caminha encharcado de misericórdia,
semeando a paz e o bem em cada dia, pois a única Terra a ser conquistada é a alma dos homens, não com imposições e reprimendas,
mas através da solidariedade e do amor.

domingo, 26 de dezembro de 2021

Poema sobre os três natais

.





Existem dois natais.
Talvez três.
Existe o natal das elites,
das comidas que podem ser fotografadas,
da ostentação,
das mesas fartas e bonitas.
Existe o natal das sobras,
das comidas doadas para os empregados que ainda podem ser fotografadas.
E existe o natal dos descartes,
dos restos que vão para o lixo,
que já não podem ser fotografadas,
até porque quem revira o lixo costuma ser invisível,
sem celulares,
sem redes sociais.
Nesse aspecto, o natal é uma espécie de O POÇO.
No primeiro andar, as comidas estão na mesa, arrumadas, tudo lindo, muita fartura.
Mas os do primeiro andar sempre "têm mais do que precisam ter e, portanto, sempre se convencem de que não têm o bastante".
Quando a mesa desce para o segundo andar, ainda vai em boas condições.
Do terceiro para baixo há fome.
E O POÇO parece sem fim, sem fundo.
Do terceiro para baixo a comida já tem aspecto de lixo, já é disputada em meio a fome, ao desespero.
O que é postado com cara de gratidão,
no primeiro andar, ganha ares de ostentação para aqueles dos andares abaixo, que assistem e não têm.
O natal é a cara da nossa sociedade,
o momento em que o capitalismo nos revela seu braço religioso ou a religião seu braço capitalista.
São milhões de postagens sobre compartilhar.
Compartilhar com os nossos.
Quem tem comida tem medo dos que não têm.
Quem não tem vira ameaça.
E se nossa ceia tão fraternal,
tão compartilhável for invadida pelos do terceiro andar abaixo?.
Como nos comportaremos?.
Se eu comesse um pouco menos,
até o limite de não passar mal, quantos dos andares abaixo teriam também o que comer?.
É de lascar olhar a sociedade em camadas, os discursos, as práticas,
as mesas de comida descendo os andares, as insensibilidades dos do primeiro andar.
Que estranhos que somos!.
Nossas ceias fartas do primeiro andar são transmitidas em tempo real para os andares abaixo.
Não podemos achar que chegam lá com cara de gratidão ou de comunhão.
Lá chegam como desigualdade,
injustiça,
má distribuição,
ostentação.
Existem dois natais.
Talvez três.

sábado, 25 de dezembro de 2021

Poema sobre o verdadeiro Natal

.




Ora, no Natal, não é possível encontrar Jesus no presente, ou no peru,
não é possível encontrá-lo na árvore enfeitada ou na iluminação da cidade.
De fato, Jesus não está na confraternização, ou no vinho, não está no presépio, nem nas lindas canções,
não está no cartão de boas festas e nem mesmo na figura do “Bom Velhinho”.
Portanto, para aqueles que são seus discípulos, o único sentido para o Natal é buscar encontrar Jesus nos lugares onde ele gostaria de ser encontrado,
no pobre,
no faminto,
no aflito,
no deprimido,
no que está hospitalizado,
nos presos,
nos esmagados pela falta de emprego,
de dignidade,
nos invisíveis,
agonizando a céu aberto em nossas cidades, nos que estão nos manicômios, nos asilos de velhos,
nas cracolândias ou em embaixo de nossas pontes.
Eu sei que celebrar esse tipo de Natal não é coisa legal, não tem glamour, ninguém vai notar nossa roupa nova,
aquele sapato chique,
a maquiagem impecável ou o belo penteado do cabelo.
Mas pra gente não perder a referência,
é preciso lembrar o que é o Natal para Jesus, pois ele encarnou entre nós não para ir a nossa ceia e trocar presentes, mas para nos convidar a participar do banquete da vida onde ele é a verdadeira comida e a verdadeira bebida,
e todo aquele que comer e beber essa consciência, celebrará o Natal conforme ele deseja.
Eu não quero ser estraga prazer,
não quero estragar sua festa,
sua roupa,
seus presentes ou sua alegria,
faça tudo isso, mas não perca a referência do verdadeiro sentido do Natal, faça todas essas coisas sem omitir as outras, não esqueça que Deus encarnou para ser amado no outro, esse é o único lugar de culto possível para aquele que anda conforme o Evangelho.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Poema sobre o Natal

.





Há algo perturbador no relato de natal feito por Mateus.
Talvez muitos não tenham se detido ali, pois afinal, o nascimento de Jesus é de tal grandeza que acaba por ofuscar qualquer outro acontecimento periférico.
Porém, trata-se de um genocídio perpetrado por um monarca furioso que se vê ameaçado pelo nascimento de uma criança. 
Geralmente, consideramos Estêvão o primeiro mártir da fé cristã.
Porém, muito antes de ele ser apedrejado, milhares de crianças de apenas dois anos para baixo, tiveram suas vidas ceifadas sem ao menos saberem pelo que morriam.
Essas, sem dúvidas, poderiam ser consideradas os primeiros mártires da fé.
Se eu fosse católico, sugeriria que o Papa promovesse a primeira canonização coletiva e anônima.
Assim como há monumentos dedicados aos soldados anônimos que morreram por sua pátria, deveria haver algum monumento àquelas inocentes crianças.
Por que Deus não evitou aquilo?.
Por que não enviou anjos para avisar a todos os pais a fim de que fugissem para o Egito, como fizeram José e Maria?.
Deveríamos considerar aquela matança como ‘efeito colateral’ indesejável?.
Seria apenas para cumprir uma agenda profética, conforme lemos em Mateus.
Enquanto Maria e José viajavam pelo deserto, milhares de mulheres choravam em alta voz enchendo as ruas de um lamento jamais ouvido.
O que aquelas crianças fizeram para ter tal destino?.
Durante a celebração natalina, muitos sofrem a ausência de familiares queridos. 
Por que perdemos pessoas queridas?.
Nada mais antinatural do que um pai enterrar o próprio filho.
Se Deus sabe o quanto dói, por que permite que aconteça?.
Como celebrar o natal com a mesma alegria de antes se a pessoa a quem tanto amamos nos deixou precocemente?.
Como celebrar enquanto um familiar está internado entre a vida e a morte?.
Como celebrar estando só?.
Por isso, muitos preferem não celebrar o natal.
Preferem dormir mais cedo.
Recusam convites, enclausurando-se em seu mundo melancólico. 
Não me atrevo a oferecer uma resposta simples diante de tanta dor.
Entretanto, gostaria de sugerir uma reflexão que, queira Deus, traga algum consolo.
De acordo com o relato de Lucas, enquanto Jesus percorria a via-crucis, algo inusitado aconteceu:
“E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos peitos, e o lamentavam.
Jesus, porém, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas, e por vossos filhos.
Porque eis que hão de vir dias em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram!”.
Pouco antes deste fatídico episódio, Jesus já havia alertado aos Seus contemporâneos que aquela geração estava destinada a ser receptáculo do juízo divino.
Agora, mesmo trazendo nas costas uma pesada cruz, Ele interrompe a caminhada para dizer àquelas mulheres que choravam por Ele: Não é por mim que vocês deveriam estar chorando, mas por vocês mesmos e por seus filhos. 
Há choros que nos poupam de outros choros.
Aquelas crianças, cujas vidas foram tão precocemente ceifadas por ocasião do nascimento de Jesus, foram poupadas da triste sina que aguardava Jerusalém ainda naquela geração.
Uma tragédia as poupou de outra muito maior. 
Maria, por exemplo, foi poupada de ter seu filho morto em seus braços pela espada de Herodes, mas assistiu à Sua execução na cruz.
Já lhe havia sido profetizado que uma espada lhe penetraria o coração, e isso se deu ao ver seu filho ser fincado no madeiro. 
De uma coisa podemos estar certos, aqueles que nos foram tirados estão em situação infinitamente melhor do que nós.
E só Deus sabe de que foram poupados, e de que nós mesmos fomos poupados com a sua partida precoce.
À luz disso, não deixemos de celebrar o Natal, mesmo que isso nos traga à lembrança a dor da perda.
Foi por Jesus ter sido poupado da espada de Herodes que Ele pôde cumprir toda a justiça de Deus e por fim, dar Sua vida pela redenção da criação.
Graças a isso, um dia reencontraremos todos os que nos deixaram e juntos celebraremos uma festa que ofuscará qualquer celebração natalina. 
Feliz Natal à todos, mesmo os que não veem motivo para celebrar.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Poema sobre os meus 30 anos

.





Hoje completo 30 anos de idade,
dos fartos cabelos já sinto saudade.
Não sei quanto chão há ainda pela frente, mas não importa, o infinito pode estar no presente.
Pensei que não chegaria até aqui,
mas hoje vejo que consegui.
Minha vida já perdeu o sentido, vi coisas que não sei entender.
Reanimado, voltei perplexo e quebrantado, percebi que a vida está cheia de significados.
A juventude acenando à distância, embora facilmente volto a infância quando me encontro junto às crianças.
Sendo um insistente errante, sei que devo seguir adiante, visto que a perfeição está fora de alcance.
Obrigado, Jesus pois, mesmo sendo eu cheio de incoerências, me conduz, levando-me pra um caminho aberto,
de paz e de luz.
Obrigado, Jesus por ensina-me as 30 lições aprendidas em meus 30 anos que são exatamente essas aqui:
1) Ninguém muda ninguém. 
2) O Poder não corrompe ninguém.
Ele revela o que há no coração. 
3) Tratar o outro da mesma forma que sou tratado por Deus. 
4) A melhor maneira de interagir com o ambíguo, é deixando de olhar para o próprio umbigo. 
5) Manter as expectativas na fonte e não nos canais. 
6) Melhor do que ter razão é ficar mudo por amor. 
7) Ser exigente comigo mesmo e complacente com o próximo. 
8) O novo chega sem pedir licença para o velho. 
9) Não recepcionar o novo com estruturas velhas.
10) Os efeitos influenciam mais do que as causas. 
11) Os motivos são ótimos para iniciar algo, mas o que mantém é a motivação. 
12) É necessário viver como se fosse o último dia da vida. 
13) Para outras situações é necessário viver como se fosse o primeiro dia da vida. 
14) Palavras falam, atitudes gritam. 
15) Silêncio é gestação e a palavra o parto. 
16) O fruto do amor é oferecer. 
17) Relacionamento é um encontro de dois mundos. 
18) Aperfeiçoamento tem mais a ver com retirar do que com receber. 
19) Abandonar as coisas de menino sem deixar de ser criança. 
20) Cada objetivo alcançado é um meio para alcançar algo maior. 
21) Ser manso para ajudar e humilde para ser ajudado. 
22) Ser aluno do passado e não refém dele. 
23) Minha atitude deve ser compatível com a minha altitude. 
24) A ausência do mundo ideal não deve servir de desculpas para legitimar minha omissão. 
25) Ser filtro e não esponja.
26) Nada é de repente. 
27) Suportar as variáveis da vida confiando Naquele que não tem sombra de variação. 
28) Pequenos gestos valem mais do que um sermão. 
29) Amor é gerúndio. 
30) Sentir é melhor do que remediar. 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Poema sobre as previsões do próximo ano

.





Basta chegar o final de ano e os canais de TV exibem uma enxurrada de retrospectivas e previsões.
Sorte nossa vivermos na era do Netflix!.
É preferível uma maratona com minhas séries prediletas a assistir ao que já sei e ao que não faço a menor questão de saber. 
Se desse para levar a sério as tais previsões, não haveria necessidade de retrospectivas.
Bastava reexibir as previsões feitas no final do ano anterior.
Que tal um programa comparando os fatos previstos com os fatos revistos?.
Por favor, não me acusem de ceticismo.
Até creio na possibilidade de uma coisa ou outra ser anunciada com antecedência.
Nem precisa ser vidente para isso.
Basta observar o andar da carruagem.
Mas, sinceramente, prefiro mil vezes a expectativa do inusitado. 
Se o próprio Deus me aparecesse disposto a me contar minuciosamente tudo o que está por acontecer no próximo ano, eu diria não estar interessado.
Dispenso spoiler. 
Saber o que o futuro me reserva não requereria fé, mas apenas adequação e certa dose de resiliência.
A fé só é necessária ante a inevitabilidade das contingências da vida.
Por isso, não me vejo fazendo votos para o novo ano.
Mesmo que soe pretensioso demais, minha única meta é tornar-me um ser humano melhor.
Quanto ao mais, deixo a vida me surpreender, como geralmente tem feito ao longo dos anos, proporcionando-me experimentar novos sabores, odores e cores. 
Em 2021, por exemplo, tive inúmeras surpresas.
Umas agradáveis além da conta.
Outras, nem tanto.
E ainda outras, nem um pouco.
Perdi amigos.
Uns para a morte.
Outros para a vida.
Mas também construí novas amizades.
Pessoas entraram em minha vida para somar.
Algumas poucas para subtrair.
Que tal deixar de ver a vida como um livro de contabilidade?.
Nem tudo se resume a lucro ou prejuízo, ganhos e perdas. 
De uma coisa estou certo: alguns vêm e vão, mas ninguém vem em vão.
Cada um, a seu modo, traz alguma lição que a vida almeja nos dar. 
Dentre todos os que conheci neste ano, nenhum conheci tão bem quanto eu mesmo.
De fato, foi o ano em que mais investi no autoconhecimento.
Percebi com mais nitidez minha personalidade.
Examinei, sem falta modéstia, minhas virtudes.
Confrontei, sem condescendência, minhas vicissitudes.
Desconstruí algumas crenças equivocadas entranhadas em meu ser.
Exorcizei fantasmas que me acompanhavam desde a minha infância.
Revisitei sonhos que já haviam sido engavetados.
Espanei-os e coloquei-os novamente na prateleira. 
Percebi que eu sou o pior dos pecadores e não sou digno de ser chamado discípulo de Cristo.
Definitivamente, não sou hoje o mesmo que rompeu os anos anteriores.
E espero não ser o mesmo que romperá os que virão.
Sou um ser em processo de acabamento.
Certos andaimes terão que me acompanhar por mais um tempo até que este processo avance.
Portanto, não se precipite em me julgar pela fachada inconclusa.
Se quiser me conhecer, fite-me os olhos, ouça o que digo, leia o que escrevo, adentrando, assim, os portais escancarados da minha alma.
E se me oferecer oportunidade, quero retribuir a visita.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Minha deusa da beleza e cor

.




Um amor que dissolve na boca
E adoça o coração 
tão claro de cor que perfuma
E a cada grão 
Com notas tão suas
Compõe em frascos de flor
O meu chão 
E meus pés que não acho 
Na areia branca
Nos lençóis de cachos
que os ventos
sopram em meu rosto
O cheiro
Que trás ao aroma gosto 
É gota sutíl
Que serena o jardim
Minha grande pequena
De alma sem fim
Do tanto que tenho
Mas tanto que quero
Mais tanto do que sinto
Bem mais que espero
Um amor
De aromas e frescores
Palatável de sabores
que posso sentir
O amor que tenho
Que ao suspirar
Enche meu peito
Sem mais acabar

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Por trás da poesia

.




E se chegasse aqui, de repente,
um casal nordestino, 
ela com dor de menino,
precisando de um cantinho
para dar a luz
no auge da alta temporada?.
A história seria diferente?.
Ou seria assim:
"Na garagem de uma pousada,
no litoral do Rio de Janeiro,
num país chamado Brasil,
nasceu um menino,
chamado de Severino,
filho de Severino José
e de Severina Maria..."
Quem de nós teria
feito a história ser diferente?.
Assim, de repente:
"Pessoas de classe média da cidade
acolheram o casal
e o menino nasceu confortável
no hospital particular.
Depois arrumaram um emprego 
para José trabalhar,
e uma vaga para Maria estudar
na universidade."
Ou, quem sabe, assim:
"o casal apareceu
 numa  vila de pescador,
ela já sentindo dor
de menino. 
Foram acolhidos na casa simples
de outro Severino,
também nordestino, 
com  muito carinho.
e lá nasceu o menino,
que também tornou-se pescador."
Ou, por último e a pior de todas:
Foi uma noite de horror.
A cidade cheia.
O casal não sendo acolhido,
buscou abrigo 
na pequena marquise
da igreja no litoral do Rio de janeiro,
protegida com instrumento 
de arquitetura urbana hostil, 
e Severina Maria
perdeu a poesia
que estava em sua barriga
porque passou do tempo
do seu menino nascer.
Então não haveria Natal.
Ou haveria.
Ela teria dado a luz o menino
ali mesmo na rua,
aqui no Coreto.
O Natal não é sobre um dia perfeito.
É um dia sobre um menino nascendo no fronte da desigualdade.
Que os meninos e as meninas 
de quase 30 Marias de nossa cidade,
mortos, recentemente, 
nas maternidades não caiam no esquecimento.
Só existe Natal nesse momento,
porque nenhum deles era você.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Poema sobre o valor que você tem

.




Aos poucos, gestores de bancos e aplicativos vão acertando o tom.
E vão começando a cobrar dos clientes e usuários suas próprias responsabilidades por fraudes e golpes.
De fato muitas pessoas insistem na crença de que existem fórmulas mágicas para ganhar dinheiro fácil.
Acreditar em fórmulas mágicas ou dinheiro fácil não é uma distração; infelizmente, é uma vocação.
Essa é uma ilusão perigosa porque cria oportunidades e ambientes convidativos a fraudadores.
Os golpistas sempre se aproveitam de uma certa ganância despreparada ou de uma esperteza superestimada.
É preciso respeitar o dinheiro,
mas, além de respeitar o dinheiro,
é preciso respeitar a si mesmo.
Respeitar a si mesmo é respeitar o valor que você dá ao seu trabalho e ao seu salário.
Quem clica onde não deve,
entra em links desconhecidos e aposta em pirâmides, por exemplo, não está com problema financeiro,
está com problema de autoestima.
Dar a um estranho mais crédito do que a si mesmo é indício de que a pessoa tem muito amor pelo dinheiro,
mas pouco ou nenhum amor próprio.
As dificuldades da vida não se resolvem com as facilidades que chegam pelo zap, pelo link ou pelo e-mail.
O que valoriza o dinheiro são os esforços, a disciplina e a responsabilidade que a vida exige de nós.
Para isso, autoestima e amor-próprio não têm preço.
Têm, sim, valor, muito valor.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Poema sobre o egoísmo, a presunção e a avareza

.




A questão mais importante não é o que você faz ou deixa de fazer,
mas a razão pela qual você faz ou deixa de fazer.
Os que adotam uma dieta rigorosa que atenda às prescrições da Lei de Moisés não devem julgar os que se acham livres mediante a graça para comer o que bem entenderem, nem vice-versa, considerando que ambos adotem seus respectivos posicionamentos com a única intenção de agradar a Deus.
O mesmo se aplica a outras questões como, por exemplo, o jejum.
O fato de você não jejuar não lhe faz superior àquele que jejua.
Porém, verifique se a razão pela qual você não jejua é, de fato, a compreensão acerca do assunto ou se isso é apenas uma justificativa para a sua glutonaria.
Há quem recorra à passagem em que Jesus diz que o que a mão direita faz,
a esquerda não deve saber como desculpa para não fazer nada em favor dos mais pobres e ainda crítica quem o faz.
Assim como, infelizmente, há quem faça para se promover.
Examinemos o nosso coração e cuidemos para que não façamos a coisa certa  por motivos errados, nem a coisa errada por motivos alegadamente certos. Ame despretensiosamente, sem cobrar amor de ninguém.
Perdoe prodigamente, sem esperar que lhe façam o mesmo.
E não use nada disso como moeda  visando alcançar de Deus algum privilégio.
Mas também não use sua compreensão da graça para deixar de se doar,
amar e perdoar.
Que a liberdade que nos é conferida pela graça não nos sirva de pretexto para dar vazão ao que há de mais primitivo em nossa natureza, o egoísmo, a presunção e a avareza.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Poema sobre o esconderijo do Altíssimo

.




Se por um lado há uma sombra proveniente do altíssimo, que é luz,
esta sombra aponta para descanso e proteção, já a sombra proveniente da igreja denota descaso e apagão,
igreja precisa ser canal de luz principalmente no cair da noite.
Cristo, a luz, é imutável, nele não há nem sombra de variações, já a terra e a lua mudam de posição constantemente,
de forma quase imperceptível,
e é justamente a luz que faz com que percebamos as variações de posição da terra, e da lua, vemos isto através do dia e da noite, que só existem por causa destas mudanças de posição,
repare nas marés, nas épocas de semeadura e colheita, elas existem por causa das variações de posição da terra e da lua.
O eclipse é a ocultação parcial ou total de um astro, ou seja, é o "atrapalhamento" temporário do curso da luz que vem da estrela, no nosso caso o sol, causado por outro astro, ou objeto.
No eclipse LUNAR, a terra passa entre a lua e o sol, causando uma sombra na lua, e por isso, enquanto durar o eclipse,
ela será incapaz de refletir a luz na terra, por que a própria terra estará impedindo que a luz do sol seja projetada na lua, para ser refletida, isto significa, o sistema humano se posicionar entre Deus e a Igreja, regendo-a, ditando-lhe as regras, causando a ocultação dela, deixando a igreja sem luz, às escuras, sem condição de iluminar o mundo, sem voz profética, sem credibilidade, projetando sombra ao invés de luz.
A igreja deve servir a humanidade, sem deixar que o mundo apague sua luz,
sem se deixar seduzir pelas propostas que visam "domesticar" a igreja e colocá-la a serviço dos poderosos e de seus intentos malignos, quando a igreja se vende ao sistema, se corrompe,
a humanidade fica em trevas, por mais curto que seja o caso entre a igreja e o sistema, é o suficiente para escurecer sua relação com a humanidade.
No eclipse SOLAR, a lua passa em frente ao sol, causando um escurecimento na terra já que, a luz do sol não chega a ela, por que a lua está causando uma obstrução.
O eclipse do sol aponta para quando a igreja passa a frente de Cristo, projetando anátemas ao invés de transmitir o genuíno evangelho, pregando uma mensagem comprometida com uma mentalidade para satisfazer seus interesses institucionais, e não com Deus, e muito menos com a transformação do mundo 
Uma igreja às sombras é rodeada de uma sociedade sem direção, os descaminhos das sociedades sucedem o apagão da igreja, denunciam sua irrelevância,
e seu estado de apostasia,
uma sociedade mais justa é acompanhada de uma igreja focada em sua missão sem perdas de tempo.
A igreja é um tipo de lanterna,
é imprescindível enquanto a luz definitiva não se manifesta totalmente, mas haverá o dia em que contra toda escuridão,
se levantará.

sábado, 11 de dezembro de 2021

Iluminados

.





De forma simples, e sem muitos detalhes científicos, podemos dizer que o sol e a lua estão posicionados acima da terra,
a luz que recebemos de ambos,
vem de cima, ou seja, a intensidade do sol, e a beleza da lua, se projetam para baixo, mostrando que a grandeza e a beleza, não estão em ser, mas em servir, o ser que não serve, atrofia recurso,
pois, tudo que não é compartilhado fica restrito a si mesmo, assim ninguém mais conhece, ninguém mais desfruta,  ninguém mais é abençoado,
toda grandeza perde a beleza quando torna-se represa.
Cristo tem um alvo,
a terra,
a humanidade, "Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas", 
"Eu sou a luz", demonstra grandeza,
"Vim ao mundo", demonstra presteza, serviço, Cristo se deu o trabalho de vir ao mundo, e veio com um propósito, iluminá-lo, dissipar as trevas,
deste modo o crerão, e serão livres da escuridão, pessoas iluminadas iluminarão o mundo a sua volta,
não haverá espaço para trevas,
não haverá beleza que não seja revelada, Ele veio ao mundo porque Deus amou o mundo, e este fato não está no passado, a evidência disto é a "luz" que incide sobre a terra hoje, "Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo", logo, se podemos ver a "luz" neste mundo,
é porque Cristo, está neste mundo,
e continua sendo a sua luz, esta luz refere-se ao conhecimento de Cristo, enquanto o ser humano puder em algum momento enxergar a Cristo, é porque ele está aqui e seu reino está aqui, nesta terra.
Enxergar a luz significa encontrar a Cristo, isso acontece por meio da pregação do evangelho emanado de Cristo, e centralizado nele, "Pregue o evangelho, se necessário, use palavras" um evangelho que não projete sua luz para a humanidade, precisa se converter, uma lua ou igreja que cultiva um estilo de vida odiando o mundo, é uma lua que odeia a noite, imagine uma lua que afirma querer reservar-se para o sol, e somente a ele oferecer sua beleza, ainda que isto pareça razoável, na verdade aponta para um desvio de propósito, pois ela foi gerada para iluminar a terra, e não para armazenar luz, inutilmente como sal insípido.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Poema sobre o comodismo, a covardia e a apatia

.




Segundo o relato bíblico, Jonas foi engolido por um grande peixe que o vomitou no lugar para onde Deus o havia enviado, mas que ele se recusara a ir. Quando nos negamos a tomar a direção determinada por Deus, somos tragados por situações inusitadas que visam corrigir a nossa rota.
Mas alguns de nós estão vivenciando uma espécie de revezamento de baleias, pois só se dispõem a sair de sua zona de conforto se engolidos sucessivas vezes e vomitados onde deveriam estar.
É melhor ser expelido por uma situação desconfortável do que ser digerido por ela.
É melhor ser vomitado por um peixe do que ser ameaçado de ser vomitado pelo próprio Cristo como ocorreu com a igreja em Laodicéia, pelo fato de não ser fria, nem quente, mas morna, isto é, na temperatura ambiente.
Ninguém é mais indigesto para Cristo do que aquele que se nega a viver plenamente a sua vocação existencial, preferindo o comodismo, a covardia e a apatia.
Desejo que a mesmice lhe cause náuseas de modo que você não necessite ser tragado por uma adversidade qualquer para se levantar e decidir fazer o que precisa ser feito.
Até para Judas que estava prestes a trai-lo, Jesus disse: “O que tens para fazer, faça logo.”

Você tem 1 minuto?

.




Como eu disse outro dia que nenhuma crise é para sempre.
Ciente disso, algumas empresas seguem operando longe dos holofotes de impasses e polêmicas.
A italiana Enel, maior distribuidora de energia solar e eólica no Brasil,
anunciou planos de investir por aqui o equivalente a mais de 30 bilhões de reais.
A espanhola Hijos, cervejaria dona da marca Estrella Galícia, também planeja investimentos equivalentes a 2 bilhões de reais, incluindo uma fábrica em Araraquara, São Paulo.
São Paulo também ganhará um escritório da Blockchain. com, a plataforma digital de compra e venda de criptomoedas,
que enxerga o mercado brasileiro como um motor econômico da América Latina.
Já a gestora de fundos DNA Capital pretende investir 1 bilhão de reais na Inspirali, subsidiária de ensino de medicina do grupo Ânima Educação.
Estão ainda em ritmo acelerado e antecipado os investimentos das empresas envolvidas nas instalações da nova rede 5G.
Essa quinta geração da tecnologia em telecomunicações vai proporcionar velocidade de internet 100 vezes mais rápida do que a que temos no 4G,
fora uma infinidade de avanços inimagináveis.
Por fim, a Petrobras fechou com o Mubadala Capital, fundo soberano dos Emirados Árabes, a venda da Refinaria Landulpho Alves, na Bahia.
O negócio, em dólares, renderá à estatal brasileira o equivalente a mais de 10 bilhões de reais.
Repare que em pouco mais de 1 minuto eu falei aqui de algo acima dos 50 bilhões de reais.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Poema sobre os espinhos da vida

.





Cada ser humano tem o direito de encontrar, conquistar e ocupar seu próprio espaço no mundo.
Seja na vida profissional,
familiar ou mesmo ministerial. 
Porém, antes de ocupá-lo, temos que descobrir qual o espaço que nos está destinado.
Há muitos em nossos dias almejando ocupar um lugar para o qual não foram chamados.
Esses se aproveitam da ingenuidade das pessoas, e se auto-intitulam ‘apóstolos’, ‘bispos’, ‘líderes’, sem jamais terem sido genuinamente chamados por Deus para o exercício de tais cargos.
Nenhuma realização nos habilita a ocupar um espaço que não nos foi destinado.
E não é porque declinamos de ser ‘reis’, que temos o direito de nos constituir ‘sacerdotes’.
Sempre haverá gente “ociosa e leviana” disposta a se alugar.
Seja por cargos, ou por conveniência,
ou por dinheiro.
Quem não tem princípios e valores,
tem sempre um preço.
Quem se dispuser a pagá-lo, terá sua lealdade.
Nem sempre a voz do povo é a voz de Deus. 
Entre Jesus e Barrabás, escolheram o Barrabás. 
Por isso a Bíblia nos adverte a ter cuidado em seguir a maioria.
E mais cuidado com as unanimidades. 
É claro que precisamos de capacitação, de qualidade e de foco.
Porém, não podemos usar isso como desculpa para a nossa omissão. 
Se as demais árvores não tomam posição, o espinheiro agradece.
A oliveira produz azeite,
a figueira produz frutos,
e a videira produz vinho,
e o espinheiro, o que produz?.
Pena que nosso povo tenha a memória tão curta.
E por conta disso, sempre elege os mesmos políticos. 
Não se pode esperar outra coisa do espinheiro, se não espinhos!.
É a curta memória do nosso povo que tem elegido espinheiros para ocupar os principais cargos políticos de nossa nação.
Se não quisermos viver sob os espinhos que eles produzem, temos que assumir uma posição e ocupar nosso próprio espaço. 
Encontre o seu lugar.
Não deixe que o espinheiro o ocupe.
Mas não usurpe o lugar de ninguém.
Onde, afinal, seria o seu lugar no mundo?. 
Seria o lugar que lhe foi dado em herança?.
Ou o lugar que um dia lhe foi profetizado?
Seria o lugar de suas melhores lembranças ou o lugar onde pode ser você mesmo com a liberdade das crianças?.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Poema sobre o coração e os apelos da razão

.




Sabe quando você quer muito que algo seja real?.
A gente acaba se deixando levar pelo desejo, buscando respaldá-lo em argumentos que jamais nos convenceriam se já não estivéssemos predispostos a isso.
O coração é hábil em nos pregar peças.
Por isso a necessidade de vez ou outra, promovermos uma conferência a portas fechadas entre a mente e o coração.
Não que a razão tenha sempre razão.
Às vezes, ela também se equivoca.
Mas não resta dúvida de que o coração seja bem mais suscetível e vulnerável a certos apelos.
Há que se redobrar os cuidados para que a mente e o coração não se tornem aliados incondicionais.
É mais produtivo mantê-los num clima de certa desavença.
Caso contrário, a mente sempre vai tentar justificar o que o coração já houver decidido.
O coração tem um jeitinho faceiro de dobrar a mente e fazê-la submeter-se a seus caprichos, nem que para isso tenha que se valer de chantagens e tentativas descaradas de suborno.
A mente não resiste a uma oferta de prazer, principalmente quando convencida de que os custos serão baixos.
Também não se pode ignorar por completo a voz do coração, principalmente quando nos fala pela via da intuição.
Não é raro que ele tenha razão.
Mente e coração só devem chegar a um acordo depois de boa dose de argumentação de ambas as partes.
Deixe que o coração se pronuncie.
Avalie seus argumentos.
E caso eles o convençam, atreva-se a ceder.
Que seja a consciência o árbitro que decidirá entre os argumentos da razão e os apelos do coração.
Quem deveria ter a última palavra?.
Os dois, quando a voz de ambos soarem em uníssono na câmara da consciência.
Depois disso, mantenha-os novamente em cômodos separados, possibilitando avaliar cada nova decisão de um ângulo distinto, porém, complementar.

Uma analogia do papel da igreja no mundo

.




Enquanto o sol aponta para Cristo,
e sua centralidade no evangelho,
e em toda a criação, a lua por sua vez, aponta para a igreja, a lua que nos presenteia todas as noites, com sua esplendorosa beleza, jamais poderia nos submeter a tão gloriosa graça,
se não fosse a luz do sol refletida em sua face, pois, ela mesma não produz luz,
há um fulgor que só podemos transmitir se antes nos dispusermos a servir, é o fulgor da glória divina, não há glória humana que se compare ou que a ofusque, e a gloria da igreja é servir refletindo o brilho de Cristo, pois, a igreja não tem glória em si mesma.
Sua beleza reside na humildade de ser o astro menor, e que só pode ser contemplado a noite, mas que ainda assim, põe-se a servir nesta oportunidade, transmitindo o que recebe, refletindo a luz que vem do sol .
Enquanto a noite se estende, e a humanidade não consegue ver a luz de Cristo, cabe a igreja ser o "farol" do mundo.
Ao contrário disto, para que serviria a lua, ou a igreja?.
Que serventia tem uma lua sem luz,
em meio as trevas da falta de conhecimento de Cristo?.
Quando a igreja prescinde de seu papel,
e deixa de iluminar, uma vez que não possui luz própria, ela mesma fica em trevas.
É como um cego guiando outro cego.
A igreja perde seu potencial quando se torna em si mesmada, ela tropeça e leva outros ao tropeço, se amontoam na mesma cova.
A lua não busca glórias para si, apenas compartilha o que recebe do astro rei, não deixando faltar luz aos povos da terra, nos momentos de escuridão. 
São mistérios enquanto não se têm conhecimento deles, e de seu real significado, mas quando a luz é lançada sobre eles, o mundo pode compreendê-los, e então, abrem-se os olhos dos cegos, acontece o "haja luz" para os que caminhavam errantes na escuridão.
O papel da lua se dá a noite, bem como o papel da igreja, a noite aqui, representa a ausência do pleno conhecimento de Cristo, a igreja deve revelar em meio a noite, que existe luz demonstrando que de onde vem o que ela esta refletindo, tem infinitamente mais!.
A igreja assim como a lua é sinal de esperança, quando está alta lá no céu, não diz: Eu sou.
Ela exclama: O sol voltará a brilhar.

Em torno de Cristo

.




Pensando em nosso sistema solar,
onde os planetas giram em torno do sol, percebemos que no evangelho,
cada um de seus  princípios e valores, com seu tamanho, e força de atração, orbitam em torno de Cristo,
cada um deles, tem sua importância, como astros que são,
porém, a harmonia entre eles,
se dá na fidelidade orbital,
isto é, no seu posicionamento constante, girando em torno de Cristo,
o centro do evangelho, e sem colidirem entre si, por maior que seja a força de atração de um princípio bíblico,
não pode suprimir o sol e,
não tem condição para isso.
Todo o conteúdo do evangelho emana de Cristo, e deve ser compreendido a partir dele, mesmo os mais valiosos conceitos contidos na bíblia, não são começo meio e fim em si mesmos,
são os meios através dos quais somos direcionados a pessoa de Cristo, e a sua centralidade.
Eleger qualquer princípio bíblico,
e colocá-lo no centro do universo da vida, removendo-o de sua posição real,
é condenar toda a harmonia da pregação e por conseguinte, de sua prática, posicionar qualquer princípio no lugar do sol, faria com que o evangelho passasse a girar em torno de um eixo incapaz de sustentar a posição ocupada pelo próprio Cristo. 
Onde Cristo deveria estar se não no ponto central da história?.
Nele estão o começo meio e fim,
ele preenche a tudo e todas coisas.
Não basta ter o sol no sistema solar,
ele precisa estar no centro da órbita dos planetas, para que todos que o orbitam, recebam sua luz, pois, nenhum astro do sistema solar tem luz própria,
de igual modo, nenhum princípio bíblico tem luz própria, ou seja, fora de Cristo, pois, é ele quem traça a rota de sua própria luz, tornando possível a contemplação de qualquer outro astro, ou princípio bíblico.
Distante do sol, qualquer princípio bíblico é frio, escuro, e mata.
Não há beleza alguma em qualquer astro que se possa notar no escuro,
apenas na incidência da luz,
isto aponta para a eterna dependência que os princípios bíblicos tem da pessoa de Cristo, tentar difundir qualquer um deles tendo os visitado no escuro,
é como navegar em um vasto oceano, sob um céu opaco, sem nenhum ponto de luz, levado apenas pelos ventos de vãs.
Um evangelho onde os planetas reinem sobre o sol, é um cataclismo,
ou anátema.
Somente o evangelho preenchido por Cristo, e onde tudo gira em torno dele, oferece a luz necessária para que exista vida, pois evangelho é sobre Cristo do início ao fim, se houvesse fim, pois o que é preenchido por Cristo, não tem fim.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

A besta de nossa era

.




Alguns pregadores sensacionalistas se aproveitam de qualquer coisa para tocar o rebu, aterrorizando os crentes com mensagens apocalípticas, alardeando sobre o fim do mundo, e aproveitando para convencê-los a votar em quem é contra tudo isso que está aí.
A estátua de um jaguar alado colocada na entrada principal da ONU em Nova York.
A estátua foi um presente do México para marcar a presidência do país latino-americano no Conselho de Segurança.
O embaixador do México na ONU, explicou numa rede social da Missão mexicana, o significado da escultura.
O diplomata contou que a chegada do “Guardião da Paz e da Segurança” servia também para mostrar à ONU a cultura mexicana, a mensagem dos artesãos mexicanos e a contribuição do país, como membro fundador da organização.
Segundo os artistas, a obra transmite a importância das tradições, costumes e identidade cultural mexicanos.
O jaguar é um animal considerado cauteloso, estratégico, que sai à caça de dia, mas permanece vigilante à noite.
Por incrível que pareça, em vez de um jaguar, alguns viram a figura de um leopardo e o relacionaram a estátua à besta do Apocalipse.
Será que realmente há uma semelhança entre elas?.
Deu pra notar que a estátua na ONU só tem uma cabeça e não sete como a besta?.
Além do mais, a besta de Apocalipse nada mais era do que uma representação da ferocidade do império romano. 
Interessante que os que se incomodaram com a estátua que representa a constante vigilância da ONU para a manutenção da paz mundial,
não parecem ter se incomodado com a estátua de um touro dourado no centro financeiro de São Paulo representado o poder do capital.
Este sim, a besta de nossa Era!.

Barris de carvalho

.



O evangelho não combina com estruturas arcaicas que cheiram a mofo. 
Odres têm prazo de validade,
envelhecem, e já não suportam o frescor do vinho novo.
Por isso acabam se rompendo de modo que o vinho seja entornado. 
O vinho só não entorna se acompanhar o processo de envelhecimento do odre.
Mas perde o sabor original,
vira vinagre,
fica intragável e indigesto.
Uma coisa é envelhecer em barris de carvalho que preservam o sabor do vinho, outra é deixá-lo envelhecer num odre de couro que acaba apodrecendo.
Odre não é lugar de armazenamento do vinho.
O vinho só era colocado no odre pouco antes de ser servido ou para ser transportado em menores porções. 
As denominações se transformaram em adegas onde o vinho é estocado em odres velhos prestes a se romperem.
Por isso, não suportam o frescor de uma mensagem contextualizada do evangelho que busca responder às questões pertinentes de seu tempo. 

Poema sobre a iminência do perigo

.




Quão frustrante é percebermos que as pessoas à nossa volta estão adormecidas e não logramos despertá-las.
Umas, porque não querem.
Outras, porque não podem.
Estão numa espécie de hibernação existencial.
Passam pela vida, sem nem sequer notar o que ocorre à sua volta.
Sentimo-nos sós na maneira como percebemos a vida.
Será que vale mesmo a pena despertá-los?.
Será que não nos odiarão por causa disso?.
Pergunto-me até que ponto a ignorância pode ser uma bênção.
O conhecimento não traz apenas libertação, mas também muito sofrimento.
Por isso, às vezes, parece preferível não saber.
Mas qual o custo da ignorância?.
Se o conhecimento liberta, a ignorância nos faz reféns.
Todavia, a questão que deve ser considerada é: quanta verdade somos capazes de suportar?.
Um doente terminal, por exemplo, tem o direito de saber que está morrendo?.
É justo poupá-lo disso?.
A ignorância não nos poupa do sofrimento em si, apenas da preocupação.
Somos como a criança que se estira no banco traseiro do carro e dorme tranquilamente confiando na destreza de seu pai ao volante.
Alguns, quando despertados, insistem em pedir “mais cinco minutinhos”.
Quando se dão por si, perderam o dia.
E quando menos esperam, lá se foi um ano, uma década, a vida inteira. 
Se ninguém acordar, quem avisará aos demais passageiros da iminência do perigo?.
Quem os preparará para enfrentar os desafios que o futuro reserva?.

domingo, 5 de dezembro de 2021

Poema sobre fábulas e parábolas

.




Fábulas quem não as ouviu quando criança?.
Quem nunca adormeceu enquanto sua mãe as contava?.
Elas servem para entreter e estimular a imaginação das crianças.
Pelo menos, a intenção de quem as conta geralmente é esta.
O problema começa quando o indivíduo chega à vida adulta insistindo em viver num mundo de fantasia parecido com o dos contos de fada.
Uma dose de fantasia é sempre bem-vinda, pois amortece o impacto produzido pela realidade em nossa alma.
Todavia, pessoas em posse de suas faculdades mentais sabem diferenciar entre fantasia e realidade.
Somente os psicóticos e esquizofrênicos não conseguem distingui-las.
Não desprezemos o poder alucinógeno que tem as fábulas.
Na pior das hipóteses, elas são capazes de provocar delírios e alucinações, alienando-nos da realidade. 
Quando os poderosos perceberam o potencial entorpecedor das fábulas, trataram de adotá-las como instrumento de dominação.
Mesmo as verdades do Evangelho podem ser de tal maneira pervertidas que acabem se tornando em fábulas e se pondo à serviço dos poderosos.
Sabendo que os riscos eram reais e que o dia de sua partida se aproximava, Pedro escreveu:
Como diferenciar o Jesus do Evangelho e o Gezuis das fábulas, o Cristo real e o Cristo genérico?.
Se as fábulas se tornaram num recurso retórico para o entorpecimento e adestramento da população,
as parábolas eram o recurso predileto de Jesus para despertar e chamar as pessoas de volta à realidade.
Tanto as fábulas quanto as parábolas são estórias fictícias, porém, têm elementos, desdobramentos e objetivos bem diferentes.
Se as fábulas pervertem, as parábolas subvertem.
O cenário das fábulas é sempre um lugar bem distante e extraordinário,
um reino mágico, uma floresta encantada, um país das maravilhas.
Assim, o ouvinte é arrebatado, deixando sua dura realidade para explorar lugares só acessíveis à imaginação.
Já as parábolas contadas por Jesus tinham como cenário o chão da vida,
o cotidiano das pessoas, o dia-a-dia de gente comum.
Toda fábula tem um herói.
Geralmente, um príncipe encantado.
Alguém que salva a mocinha indefesa das garras do dragão ou da rainha má.
Ele não vem das classes humildes.
Não é um trabalhador braçal.
É um membro da realeza.
Um bravo e valente príncipe.
O nosso povo é adestrado pelas fábulas, nutrindo a expectativas de que um dia alguém virá em sua defesa.
Trata-se de um messianismo falso, alimentado por uma esperança fantasiosa.
Foi esta esperança que colocou Collor no poder.
O caçador de marajás parecia a resposta aos nossos mais profundos anseios por justiça. 
As parábolas de Jesus não tem mocinhos nem bandidos.
Não há lugar para heróis.
Nelas a ambiguidade de nossa humanidade é exposta.
Nossos preconceitos são postos à prova.
De quem se espera socorro, recebe-se indiferença.
E quem deveria ser vilão, inusitadamente se comporta com altruísmo e compaixão.
A mocinha indefesa da fábula se transforma no povo chamado a ser protagonista de sua própria história em vez de ficar aguardando passivamente o beijo do príncipe. 
Não há maçãs enfeitiçadas nas parábolas.
Não há nada de que os poderosos nos convençam que não possamos tocar, nem mesmo nos aproximar. 
Os poderosos usam e abusam da ignorância das pessoas para manipulá-las a seu bel-prazer.
Foi assim que os senhores de engenho convenceram os escravos a não comerem as mangas, produto recém-chegado ao Brasil e que prometia trazer muitos lucros.
Alegavam que comer manga e beber leite podia levar à morte.
Séculos depois, ainda damos crédito a esta fábula ridícula sem qualquer embasamento científico.
Igualmente, há um evangelho que alimenta superstições, levando as pessoas a evitarem certos ambientes e comportamentos, não por consciência, mas por medo de serem ‘enfeitiçadas’ ou de darem ‘legalidade’ ao maligno.
De fato, só a verdade liberta.
A mentira amordaça e idiotiza.
Toda fábula esboça uma moral.
Aquela que serve aos interesses das classes dominantes.
Já as parábolas de Jesus demonstram preocupação com questões éticas que seguem pertinentes independentemente da época, da cultura e do lugar.
Algumas parábolas parecem visar o nosso senso de moral contraditório.
Não importa qual seja o enredo, todas as fábulas têm final feliz.
O que começa invariavelmente com “era uma vez”, termina com “e foram felizes para sempre”.
Quem não gostaria que fosse assim na vida real?.
As parábolas de Jesus rompem com este clichê.
Algumas nem sequer parecem terminar.
As estórias contadas por Jesus não terminam com final feliz, simplesmente porque elas não terminam.
A trama humana segue em aberto.
A vida segue seu ritmo.
Há espaço para contingências e eventualidades.
Fábulas falam de certezas.
Parábolas falam de surpresas.
Quando parecia que Jesus ia dar o arremate da estória, ele introduz uma situação inusitada.
Se uma fábula como a da Branca de Neve fosse uma parábola, ela não teria o desfecho que teve.
Depois do beijo que quebrou o feitiço da maçã que lhe fora ofertada pela rainha má, a Branca de Neve se casaria,
teria filhos, e viveria muitas outras coisas, nem todas tão felizes.
Ninguém fica feliz para sempre.
Um casamento, por mais maravilhoso que seja, um dia termina, seja pelo divórcio ou pela morte.
Haverá dias de sol, mas também dias nublados.
Haverá risos, mas também lágrimas em abundância.
De acordo com as fábulas, o objetivo da vida humana é a sua própria felicidade.
As parábolas nos sugerem outros objetivos.
O bem comum e a glória para Deus.
Enquanto as fábulas nos apresentam um mundo de fantasia, as parábolas revelam como deve funcionar o mundo sob os princípios que regem o reino de Deus.
Depois de terem ouvido Jesus contar inúmeras parábolas, sem conter a curiosidade, os discípulos o cercaram  e perguntaram: “Por que lhes falas por parábolas?.
A noção que muitos têm do reino de Deus tem mais a ver com as fábulas do que com as parábolas de Jesus.
Imaginam um reino num lugar mui distante, para além do sol e das estrelas.
Ou, quem sabe, numa dimensão paralela.
Para estes, o reino ainda não veio.
Foi ofertado por Jesus durante Seu ministério terreno, porém, teve que ser adiado.
Todavia, um dia ele virá de maneira estrondosa, com direitos a efeitos especiais dignos de um verdadeiro filme.
Em uma de Suas parábolas, Jesus diz que “o reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo;
o qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos”.
Portanto, o reino não vem com aparência majestosa.
Uma de suas principais características é a discrição.
Na parábola seguinte, Ele compara o reino de Deus “ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado”.
Portanto, o reino não se manifesta de maneira espetaculosa, mas vai se infiltrando sorrateiramente nas estruturas erigidas pelo gênio humano. 
Preferimos confundir a realidade do reino de Deus com o que seria um mundo ideal, onde as coisas sempre começassem e terminassem bem, sem choro, nem sofrimento ou morte.
O ideal do reino, porém, está mais para utopia do que para fantasia.
Utopia é aquilo que nos move na direção do horizonte, ainda que a cada passo que dermos, o horizonte pareça se distanciar.
Sonhamos com um mundo onde impere a justiça, a verdade e o amor.
Um mundo sem guerras, pestes, exploração e violência.
Todavia, este mundo com que sonhamos não deve ser esperado, mas perseguido.
Ele não está em algum outro lugar.
Ele está no futuro.
Em vez de aguardarmos uma intervenção divina, devemos arregaçar as mangas e trabalhar como instrumentos usados por Deus na edificação do Seu reino na terra.
A intervenção divina já aconteceu no momento que nos foi enviado o Seu único Filho, e posteriormente o Seu Espírito para nos habilitar ao cumprimento do Seu propósito.
O futuro, portanto, precisa ser construído, ainda que, do ponto de vista de Deus ele já seja real.
A fantasia produz letargia.
A utopia nos impulsiona a caminhar.
A fantasia nos anestesia.
A utopia nos dá um choque de realidade.
Dentre as várias parábolas registradas nos evangelhos as duas mais conhecidas são, sem dúvida, a do filho pródigo e a do bom samaritano.
O filho mais novo pede ao pai que lhe dê sua parte na herança.
O pai, por ser justo, resolve repartir a herança entre ele e seu irmão mais velho.
O caçula deixa sua casa e gasta tudo o que recebera com orgias e jogatina.
Sem dinheiro, humilhado e tendo que trabalhar cuidando de porcos, cai em si e resolve voltar para a casa do pai e pedir-lhe uma chance. Surpreendentemente, o pai não apenas o recebe, mas promove uma festa para recepcioná-lo.
O filho mais velho, enciumado, recusa-se a participar da festa. 
Se vivêssemos num mundo ideal, o irmão mais velho celebraria a volta do irmão.
Num mundo ideal, seu irmão jamais teria gastado tudo com mulheres e farra.
Ou ainda: num mundo ideal, ele nem mesmo teria abandonado o seu pai àquela altura da vida.
A propósito, por que o mais velho não se manifestou quando o caçula requereu sua parte na herança?.
Talvez, por ter percebido que ele também seria beneficiado, recebendo sua parte na herança.
Num mundo ideal, ele chamaria seu irmão para conversar e o dissuadiria daquela loucura.
Porém, o fato é que não vivemos num mundo ideal, tampouco num mundo de fantasias.
No mundo real, filhos torram o que custou aos pais uma vida inteira de trabalho árduo.
No mundo real, irmãos sentem inveja entre si por se acharem preteridos por seus pais.
Onde o reino de Deus entra nisso tudo?.
Como um reino real e justo opera num mundo real e injusto?.
Já que o filho mais novo requereu sua parte.
Que o pai reparta com equidade entre ambos os filhos.
Já que o pródigo perdeu tudo.
Que ele caia em si, se arrependa de sua loucura e tome o rumo da casa do pai.
Já que filho rebelde retornou arrependido.
Que o pai lhe dê uma festa de recepção.
Já que o filho mais velho se recusa a celebrar a volta do irmão.
Que o pai vá ao seu encontro e o convença de entrar na festa.
Se fosse uma fábula, a estória teria terminado com o irmão mais velho dançando ao lado do resto da família, abraçado ao pai e ao seu irmão pródigo, e, assim, foram felizes para sempre.
Em vez disso, a estória termina com o pai argumento com seu primogênito.
O que ele teria feito, então?.
Jamais saberemos.
Todavia, podemos saber o que nós mesmos faremos numa situação que demande uma postura semelhante.
Na segunda parábola, um homem é assaltado e deixado semimorto à beira da estrada.
Vem um sacerdote e finge não ver.
Vem um levita e faz o mesmo.
Até que surge um samaritano, e para surpresa de todos, não só lhe presta os primeiros socorros, como também o coloca em sua cavalgadura, leva-o para uma hospedaria, paga a conta do seu tratamento e pede que o dono não economize, caso seja necessário.
Na volta, ele passaria por lá e acertaria a conta.
Num mundo ideal, o sacerdote e o levita jamais se recusariam a socorrer àquele moribundo.
Num mundo ideal, os ouvintes de Jesus jamais teriam ficado surpresos com a atenção dispensada por um samaritano a um judeu naquelas condições.
Não haveria preconceito num mundo ideal.
Num mundo ideal, aquele homem nem sequer teria sido assaltado.
Num mundo ideal, certamente não haveria assaltantes nas estradas.
Mas, definitivamente, este não é um mundo ideal.
Coisas ruins acontecem a qualquer um.
Nem mesmo os justos estão imunes a isso.
Então... já que há assaltantes na estrada, bom seria que aquele homem não viajasse sozinho.
Mas, já que viajava só e foi assaltado... Que quem quer que passe por ali, sem importar sua posição social ou seu credo religioso, pare para prestar-lhe socorro.
Já que o sacerdote e o levita se recusaram a parar.
Que entre em cena aquele que passou a vida inteira sendo alvo de bullying e chacotas por parte dos judeus, e preste o devido socorro àquela vítima sem perguntar-lhe nada.
Num mundo ideal não haveria aborto.
Mas já que meninas são estupradas e no momento do desespero acabam optando pelo aborto.
Que haja quem as acolha, sem condená-las.
Que seu sofrimento seja atenuado.
Num mundo ideal não haveria divórcio.
Mas no mundo real, há.
Então, que nos habilitemos a acolher os que foram machucados por este tão dolorido processo, sem julgá-los ou discriminá-los.
Num mundo ideal não há drogas.
No real, há.
Logo, qual deve ser nossa postura ante tão sério e crônico problema social?.
Num mundo ideal não há cadeias superlotadas, nem mesmo criminosos para serem presos.
Já que isso é coisa do mundo real,
então, vamos visitá-los.
Num mundo ideal há acontecem tragédias naturais.
Em nosso mundo, sim.
O que é que estamos fazendo de braços cruzados?.
Saiamos ao encontro de suas vítimas, solidarizando-nos com a sua dor.
Num mundo ideal não há fome.
No real, sim.
Então, repartamos o nosso pão com os que nada têm.
Deixemos de apontar o dedo acusador e estendamos as mãos, as mesmas que usualmente levantamos ao céu em adoração a Deus. 
Enquanto a vida acontece lá fora,
a bela igreja segue adormecida.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Poema sobre Maria na ótica protestante

.




Será complicado para um discípulo entender a devoção mariana.
E a coisa se complica ainda mais ao deparar-se com a multiplicidade de Marias.
Afinal, quantas mães teve Jesus?.
No México, ela aparece com feições indígenas a um índio asteca,
sendo chamada de “Nossa Senhora de Guadalupe”.
No Brasil, sua imagem com feições negras é encontrada por pescadores e recebe o nome de “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”.
Em Portugal, ela surge como “Nossa Senhora de Fátima”, cuja aparição teria sido testemunhada por três crianças.
Em nenhum dos casos, ela foi vista por sacerdotes ou nobres.
Sem entrar no mérito dogmático, percebo uma busca que julgo autêntica por uma fé engajada e radicada no contexto cultural em que emerge.
Essas múltiplas facetas de Maria visa atender ao anseio de rebelar-se contra os padrões vigentes.
Uma Maria negra desafia o flagrante racismo de uma era escravagista.
Uma Maria indígena confronta os vergonhosos interesses dos conquistadores espanhóis.
Não preciso endossar uma devoção popular para compreendê-la enquanto fenômeno social e psicológico.
As diversas aparições místicas podem ser vistas como projeções do inconsciente coletivo; o que, diga-se de passagem, não diminui em nada a sua importância.
Mas de onde o inconsciente coletivo buscou material para dar a Maria as características que lhe são atribuídas?.
Por que surge negra no Brasil e índia no México?.
Ao longo dos séculos, o inconsciente coletivo foi acumulando informações via tradição, bem como anseios e fantasias que, ao se mesclarem, produziram as múltiplas Marias, além de uma considerável diversidade de Cristos: Nosso Senhor do Bonfim, Nosso Senhor dos Passos, etc.
Assim como em Israel, Deus era chamado de Iavé Jireh, Iavé Shamá, Iavé Tsedikenu, etc.
Obviamente, há um único Cristo, que por Sua vez, nasceu de uma única e bendita virgem.
A tradição protestante não endossa qualquer devoção que não seja dirigida exclusivamente ao Deus.
Todavia, como profetizou o anjo que a visitou, Maria deveria ser honrada por todas as gerações.
Não faz sentido adorar ao Filho, negando-se a honrar à Sua bem-aventurada Mãe.
E a melhor maneira de honrá-la é submetendo-se a seu Filho, bem como destacando suas inegáveis virtudes, dentre as quais, a humildade e a obediência.
Jesus é o único caminho que nos leva a Deus.
Maria foi o caminho tomado por Deus para vir ao encontro dos homens.
O desprezo protestante a Maria é uma reação grotesca e exacerbada à devoção que se presta a ela.
Deveríamos, antes, optar por uma postura idônea e equilibrada.
E ainda que não comunguemos com sua devoção por parte de nossos irmãos católicos, que possamos respeitá-la e buscar compreender o contexto de onde emerge. 
No fundo, todos somos marianos, pois nos submetemos à instrução que ela deu aos serventes em Caná da Galileia: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
O mesmo Jesus que obedeceu a divindade materna, o  pedido da mãe, para realizar seu primeiro prodígio milagroso público: a transformação da água em vinho, é o mesmo Jesus que, finalizado em sua missão de corpo  terrestre na cruz, delegou a humanidade inteira a Ela, representada na figura do mais jovem discípulo que ele muito amava, com a seguinte solicitação: "MÃE eis aí teu filho.
FILHO eis aí tua mãe!.
Maria nunca foi  propriedade da igreja católica, que historicamente perseguiu, abusou e até matou todas as pessoas que viram as manifestações de Maria ou de Jesus.
Curiosamente os Cristos manifestaram-se de forma sobrenatural para pessoas cuja devoção genuína representavam tudo o que os poderes constituídos da Terra sempre desprezaram.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Poema sobre o Dezembro

.




E, quando menos se espera,
já é dezembro, já é quase Natal.
Pragas,
guerras,
rebeliões,
revoluções.
Tudo vem, 
Tudo vai,
Tudo passa
Tudo desaparece.
Nada é para sempre,
nem mesmo uma crise política, econômica ou sanitária.
A quebra da Bolsa em 1929 não foi para sempre.
O choque do petróleo nos anos 70 não foi para sempre.
O estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, em 2008, não foi para sempre.
Assim como a pandemia e suas variantes não serão para sempre.
Enfim, não se pode esquecer que a gente não vai ter crise para sempre.
Não se trata de minimizar as tragédias, que são coisas inclementes e implacáveis.
Mas se trata de lembrar que até tragédias deixam lições, que não podem ser desperdiçadas.
Se trata de lembrar que é preciso se preparar para o que vem depois.
Houve perda de produtividade aqui e ali, mas também houve ganho de criatividade lá e cá.
Muitas empresas quebraram,
muitos negócios seguiram e novos mercados surgiram.
Esse é o ponto.
Estar pronto para aquilo que segue, aquilo que surge ou aquilo ressurge.
Estar preparado para o recomeço,
a reinvenção,
a revigoração,
a regeneração.
Ou seja, quando menos esperamos a primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome,
nem acredite no calendário,
nem possua jardim para recebê-la.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

O próximo e o outro

.




O próximo a gente ama
O outro a gente descarta
O próximo a gente cuida
O outro a gente maltrata
O próximo eu enxergo como igual
O outro é igual a um animal
O próximo tem alma e coração
O outro não tem nada de mais
O próximo, você convida
O outro, você obriga
O próximo é elogiado
O outro é sempre zombado
O próximo tem valor
O outro tem preço
O próximo recebe incentivo
O outro é desestimulado
O próximo pode sonhar
O outro vive no pesadelo
Quem é o próximo?.
Quem é o outro?.
A resposta está no dia a dia seu moço.
Observe o Brasil
Preste muita atenção
O outro só é próximo:
Da dor.
Do sofrimento.
Do descaso.
Do desrespeito.
Do medo.
Da miséria.
Da violência.
Do gueto.
Se você não acredita, dê uma olhada nas estatísticas.

Postagens mais lidas