quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

sutilmente


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Nas músicas que escuto
e não posso te cantar,
nos filmes que vejo,
e não posso te mostrar.
Nos livros que leio,
e não posso te contar,
nas ruas que vago a esmo,
e não posso te levar pela mão.
No vento que sopra em meu ouvido,
e não posso te mostrar a direção,
no doce que saboreio
e não posso te dar um pedaço.
Na paisagem que escurece,
e não posso encontrar a lua,
que está em outro céu,
eu te encontro.
Aqui dentro,
como um respiro,
um delírio,
uma miragem
que me faz sentir vivo.
É o amor
que está além de nossos olhos
que não te vêem,
dos meus braços
que não te envolvem
e dos meus lábios
que não te beijam.
E me faz sentir vivo.
Então, me afasto sutilmente
com medo dessa loucura quente
que derrete minhas entranhas
e não estranhe minha ausência.
Pois, enquanto eu viver
só te peço
pra não me deixar morrer
dentro de ti.

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