terça-feira, 10 de maio de 2022

Para quem é o Evangelho

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O Evangelho não é para os arrogantes. 
Cristo veio para aqueles que sabem não serem bons. 
Para aquele que sabe que é um ser caído. 
Para aquele que vive a corrupção da carne e vê a vida como uma escola e que, por meio dos resultados das próprias escolhas, recoloca-se nas encruzilhadas da existência e ratificando a própria liberdade,
diz a si mesmo: escolha!.
Quem é sincero consigo mesmo sabe que já fez mal a muita gente.
Aquele que confessa que já mentiu,
já se deixou corromper,
já machucou o outro,
sabe que todas estas possibilidades continuam existindo.
Sabendo de toda a atração que a natureza humana caída acolhe, o discípulo agradece a Deus quando consegue, por meio Dele, dizer: NÃO!.
Que cada um consiga olhar para si mesmo e se reconhecer como um ser humano sujeito a falhas; um filho pródigo que pede todos os dias para voltar e vislumbrar o Pai amoroso que o recebe e se alegra. 
Ao reconhecermos que nada somos, podemos então agradecer à intervenção Deste Pai que sempre conduz o filho ao arrependimento necessário para aprender e continuar a jornada.
"Estou aqui para dar atenção aos de fora, não para mimar os da casa,
que SE ACHAM JUSTOS."

sexta-feira, 6 de maio de 2022

O problema do Brasil é o Estado brasileiro

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A solução dos problemas que enfrentamos é de longuíssimo prazo, passa pela educação e pela conscientização sobre o papel político do eleitor,
passa por uma reforma profunda no Congresso Nacional,
no Judiciário e nas práticas lesivas do Executivo,
passa por um projeto de Estado, e não de governo, e isso começa pela sociedade, pelo empresariado,
por representações do 3º. setor,
os políticos respondem aos anseios dessas massas, temos políticos perversos porque não sabemos votar, temos políticas perversas porque elas são feitas por indivíduos como Arthur do Val e Daniel Silveira,
para citar apenas os que estão na mídia.
Não, a solução para o Brasil não está nas mãos de uma pessoa,
nem mesmo de um partido ou de um dos lado ideológicos da esquizofrenia atual,  a solução,
como disse, passa por uma estrada longa, por novos valores éticos,
por uma nova consciência sobre as prioridades da Nação, por empresas comprometidas com o social,
com as boas práticas da governança e com o meio ambiente,
por uma classe média que se digne a olhar para a miséria crescente em nossas cidades com vistas a se comprometer com iniciativas de solidariedade, por uma igreja que entenda seu papel na transformação de tudo aquilo que fere a verdade,
a justiça e a dignidade do ser humano, que deixe o templo e vá para as favelas, que abandone a retórica oca de uma espiritualidade com cheiro de biblioteca e passe a por em prática uma teologia que tenha carne e sangue.
Eu sei que não verei nada disso,
e tenho dúvidas consistentes se isso acontecerá algum dia nessa república de bananas.
O pecado somos nós,
o problema do Brasil não é o povo,
é o Estado brasileiro e aqueles que o controlam.
E para vencê-los é necessário conquistar a liberdade para eleger e ser eleito.
É necessário conquistar a liberdade de fazer política, dentro das eleições e para além delas. 

terça-feira, 3 de maio de 2022

A ponte que somos

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Há pessoas que recebem de Deus o dom especial de serem pontes.
Disponibilizam-se para prover conexão entre os outros.
Seu habitat natural são os bastidores.
Os holofotes não as atraem.
Como enceradeiras, contentam-se em trabalhar para fazer o chão brilhar.
Dentre os discípulos de Jesus, provavelmente André era o que apresentava esta característica.
Uma ponte entre duas culturas diametralmente diferentes.
André também serviu de ponte entre duas eras representadas pelos ministérios de João Batista e Jesus. Ele foi um dos dois discípulos de João que testemunharam quando este, vendo Jesus passar, disse:
“Eis aqui o Cordeiro de Deus”.
Não foi preciso nem uma palavra a mais.
Imediatamente, André deixou a João para seguir a Jesus.
Tão logo encontrou a Jesus, André dirigiu-se a seu irmão, Simão Pedro,
e contou-lhe: “Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo).
E levou-o a Jesus”.
Portanto, ele também foi ponte entre Pedro e Jesus, sem jamais supor que seu irmão seria o príncipe dentre os apóstolos.
Em momento algum André requereu tal posição por ter sido o primeiro a seguir a Jesus.
Pelo contrário, contentou-se em ficar conhecido como  "o irmão de Simão Pedro".
Foi ele e seu irmão que ouviram de Jesus a promessa de que seriam feitos pescadores de homens.
Considerando o significado de seu nome, Jesus estava dizendo que eles pescariam muitos outros. 
Quer estejamos na frente ou atrás das cortinas, todos somos chamados a sermos pontes.
Lemos em Hebreus que Jesus é o Sumo Sacerdote daqueles que se aproximam de Deus.
No texto grego, Ele é o sumo pontífice, que quer dizer, a ponte principal que liga Deus aos homens. Somente Cristo poderia ser chamado assim, visto que “há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem".
Todavia, quando ingressamos em Seu Corpo, tornamo-nos pontes de acesso para que outros afluam à Ponte Principal que nos conecta à Divindade.
Por isso, Apocalipse diz que somos um reino de sacerdotes.
André também desempenhou papel importante na ocasião em que Jesus alimentou a multidão com apenas cinco pães e dois peixinhos.
Ele foi a ponte entre Jesus e o menino que disponibilizou seu lanche.
Enquanto Filipe, outros dos discípulos, calculava o custo que teriam para alimentar tanta gente, André tratou de se meter na multidão para garantir ao menos a comida do Mestre.
Nem sempre temos a solução para um problema, porém, podemos ser ponte entre o problema e a solução. Sem a intervenção de André,
a multidão teria saído faminta,
e certamente, teria desfalecido pelo caminho. 
Filipes costumam ser racionais, ponderados.
Andrés são mais impulsivos, intuitivos, agindo mais com o coração do que com a mente.
Uns são pragmáticos e realistas.
Outros, românticos e idealistas.
Quando alguns gregos vieram em busca de Jesus, Filipe ficou sem saber como agir e recorreu a André. Então, ambos os introduziram a Jesus.
É bom que tenhamos Filipes,
mas estes precisam ter Andrés que os estimulem a dar os passos necessários.
Mais uma vez, André foi ponte
André foi um dos apóstolos que mais trabalharam para que o Evangelho alcançasse lugares longínquos, chegando até a Rússia.
Conta-se que André foi crucificado numa cruz em forma de “X”.
Durante os dois dias em que agonizou, despojou-se de suas vestes e bens, doando-os aos seus algozes.
Mesmo em seus últimos momentos de vida, André não se negou a ser ponte.
O que não lhe serviria mais, poderia ser bênção na vida de outros,
mesmo que estes fossem seus piores inimigos.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Externa emoções

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Alguém, por favor, me ajude a entender a razão de sermos tão atrevidos em emitir opiniões,
porém tímidos em externar emoções.
Por que é mais fácil expor o que se pensa do que expressar o que se sente?.
Preferimos nos esconder atrás de raciocínios aparentemente embasados e tomar nossas decisões depois de calcular os custos,
os pros e os contras, relegando os sentimentos a um segundo plano.
O que nos importa são os resultados!.
Queremos sair sempre no lucro,
ou pelo menos, ilesos.
Nossas opiniões são armaduras com as quais blindamos o coração.
Cada peça desta armadura se articula com as demais, garantindo-nos certa mobilidade.
Mas se não forem frequentemente lubrificadas, tendem a se enferrujar, comprometendo nossa flexibilidade, e, consequentemente, nossa performance existencial.
Lubrificamos nossas opiniões com argumentos cada vez mais refinados.
Sonhamos ser imbatíveis.
Opiniões nos impõem.
Sentimentos nos expõem.
Opiniões nos destacam.
Sentimentos nos nivelam.
Opiniões provocam divergência. Sentimentos, convergência.
Reveste-se de armadura quem sai à vida como quem vai ao campo de batalha para brigar.
Despe-se dela quem é capaz de transformar este campo minado num playground onde se desce para brincar.
Para tal, teremos que nos abdicar do cinismo que nos contagiou a alma, roubando-nos a esperança.
Teremos que recobrar nossa ingenuidade essencial, voltando a apostar na vida.
Argumentos se calarão.
Pontos de vista serão relativizados. Substituiremos o olhar bélico da vida por um olhar lúdico.
Em vez de tanques de guerra, carrosséis.
Em vez de bazucas, gangorras.
Em vez de granadas e lança chamas, balanços e pipas.
O peso da armadura será substituído pela insustentável leveza do ser.
Deixaremos de nos sentir ameaçados, para nos permitir amar e ser amados.
Ninguém tomaria banho vestido numa pesada armadura,
não é verdade?.
Despir-se dela é expor a intimidade, revelando assim quão frágeis e vulneráveis somos.
Quem decidir acolher nosso amor, não o fará por outra razão que não seja aquilo que somos, e não o que pretendemos parecer.
Sob a armadura, a alma se sente sufocada.
Lágrimas são contidas.
Sorrisos inibidos.
Gestos calculados.
Palavras sofrem a censura da razão que as considera impronunciáveis.
O outro, a quem nossos sentimentos se devotam, é visto como um inferno em potencial.
Tememos ser devorados por suas inclementes labaredas.
Nossa alma precisa de ar fresco. Lágrimas desejam ser extravasadas. Sorrisos largos exibidos despudoradamente.
Gestos espontâneos.
Palavras livres e sinceras.
E assim, somente assim, o outro será visto como a possibilidade do céu.
Desejaremos ser consumidos pelas chamas do seu amor, das quais renasceremos todos os dias como uma exuberante fênix que abraça a vida com as asas da liberdade.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Nossa estrutura humana é pó .

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Jesus não conviveu ao lado de gente certinha.
Ao contrário, ele evitava e criticava quem se gabava cumprir todas as demandas da lei judaica. 
Jesus chamou os austeros sacerdotes de sepulcros caiados; tratou mestres como cegos guiando outros cegos. 
Os sacerdotes do templo conseguiam convertidos,
mas Jesus disse que eles apenas condenavam as pessoas a um inferno duplo. 
O filho do homem, gostava da companhia de pecadores iguais a gente comum. 
Ele se sentia bem perto dos que assumiam a condição humana. 
Ao alistar apóstolos não se importou com suas inadequações.
Pedro era tempestivo;
Tomé, hesitante;
João, vingativo;
Filipe, lento em compreender;
Judas, ladrão. 
Acostumado aos costumes da sinagoga e com o linguajar dos doutores da Lei,
Jesus não buscou discípulos dentro desses círculos.
Jesus aceitou que uma mulher de reputação duvidosa derramasse perfume sobre sua cabeça.
Elogiou a fé de um centurião romano, adorador de ídolos.
Não deixou que apedrejassem uma adúltera.
Mostrou-se surpreso com a determinação de uma mãe cananéia. 
Nos estertores da morte, prometeu o paraíso a um ladrão.
Não mediu esforços ou palavras para enaltecer os diferentes.
Santidade nunca significou para ele a simples obediência a normas.
Jesus não tratava um ato igual a uma intenção.
Adultério não se restringe ao sexo; ele questionava os valores que antecediam a relação sexual.
Deus não busca vidas perfeitinhas.
Ele sabe que nossa estrutura humana é pó. 
Deus não exige correção absoluta.
Para isso, ele teria que converter mulheres e homens em anjos.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Poema sobre vínculos

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Certo dia, quando  Jesus caminhava entre a multidão,
uma mulher que tinha um fluxo de sangue contínuo resolveu se aproximar furtivamente Dele.
Ela pensou que se O tocasse seria curada.
E realmente o milagre aconteceu.
Mas, no meu entender, tão importante quanto a cura,
foi o tipo de contato que ali se estabeleceu.
A multidão O empurrava e esbarrava Nele o tempo todo.
No entanto, Ele identifica e sente de modo diferente o toque daquela mulher, porque na verdade,
ela se aproximou esperando não somente encostar em Jesus,
mas ansiosa por algo maior:
uma conexão, uma troca,
uma ligação pra além do esbarrar.
O que ela ansiava era o vínculo, através do qual o milagre aconteceria.
Estamos cercados de muita gente.
Temos contato com pessoas o tempo todo.
Mas se não estabelecermos relacionamentos que nos tragam significado existencial,
estaremos sós em meio à multidão, esbarrando-nos acidentalmente uns nos outros.
O que precisamos mesmo é de vínculos.
Vínculos estes que nos tragam a experiência da troca, do afeto,
e do olhar que não somente vê,
mas nos faz enxergar uns aos outros.
É isso que nos aproxima e vai nos manter vivos num mundo onde grassa a frieza e a indiferença.

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Metaverso

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Na última semana um pastor estreou a primeira igreja brasileira no metatarso com um culto composto por 150 avatares.
A nova realidade, que pode virar uma febre no meio religioso,
trará, também, uma infinidade de problemas.
O metaverso, como se sabe,
é um ambiente tecnológico que combina, a princípio, realidade aumentada, realidade virtual e internet.
Nele já é possível você criar o seu avatar e passar, a partir dele,
a ter sua vida numa versão digital,
o que lhe permite, por exemplo,
ir a shows, fazer viagens, se relacionar com pessoas,
fazer compras e, agora, ir a “igreja”!.
Diante da possibilidade, enumero a seguir alguns dos problemas que tal iniciativa irá criar a igreja no metaverso vai dissensibilizar,
ainda mais as pessoas, quanto às necessidades e dores humanas,
o pobre,
o órfão,
a viúva,
o viciado na rua,
a travesti na esquina,
o doente no hospital,
o preso,
grupos que hoje são considerados invisíveis sociais estarão ainda mais encobertos, apartados da dimensão do mundo virtual, eles agonizarão sem ter quem os acolha e ajude.
A fé em Jesus é, antes de tudo,
um chamado para que o indivíduo se enxergue, um desafio para que ele se arrependa de quem se tornou e busque, pelo poder do Espírito,
a Nova Criação que está em Cristo.
No metaverso, todavia, as pessoas podem escolher ser justamente quem não são, sobretudo, para que possam ser aceitas na comunidade,
é o ambiente perfeito para o disfarce, para a vida camuflada, para a assunção do personagem,
um “armário digital” capaz de abrigar, indefinidamente, quem quer que sejam
Segundo Paulo, os dons do Espírito Santo foram repartidos com a igreja para o serviço e edificação dos santos, ou seja, é na vida real,
onde as trocas relacionais revelam as necessidades de cada pessoa,
que os dons podem ser melhor empregados, com vistas a cumprir a dimensão dos “uns aos outros” tão presente no Novo Testamento.
Ora, num ambiente virtual isso se torna impossível, não só pelas restrições físicas, como também pela impessoalidade das trocas entre as pessoas.

terça-feira, 19 de abril de 2022

Uma causa, uma pauta

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Jesus Cristo tinha uma causa,
um pauta de luta da qual ele não abriria mão nem sob ameaça de cruz, a pena de morte romana.
Os próprios representantes do estado romano e do estado judeu não veem em Jesus uma ameaça.
Quem se sente ameaçada por ele é a religião dele, a religião em que ele nasceu e da qual foi se distanciando, se desconectando gradativamente. Ele, bebê, foi circuncidado,
como qualquer criança católica é batizada e como qualquer criança evangélica é apresentada no templo.
Ele cumpre os ritos de ir com os pais ao templo de Jerusalém como uma criança muçulmana iria com seus pais a Meca.
Depois, como acontece com tantos adolescentes cristãos, ele vai percebendo que já não cabia no controle de sua religião, que não fazia sentido aquele nacionalismo doente, aquele fundamentalismo que colocava os dogmas acima das pessoas, aquela aproximação luxuriosa de sacerdotes e governantes.
Em que  momento um adolescente brasileiro que já não se identifique com a religião dos seus pais consegue autonomia para deixá-la sem gerar um crise familiar muito grande?.
Jesus Cristo espera esse momento e rompe com o sistema religioso judaico.
Ainda assim, continua frequentando  sinagogas, de onde sai vaiado ou apedrejado por causa do seu discurso antifundamentalista.
Ele continua frequentando o templo onde acaba perdendo a cabeça e agredindo os poderosos que serviam ao templo e enriqueciam,
e vários outros comerciantes mafiosos da fé.
A partir desse episódio, principalmente, ele entra na mira das lideranças religiosas e não do governo.
O governo não tem interesses nele.
Ele não era uma ameaça para o estado romano.
Ele era uma ameaça para os interesses religiosos judeus.
Ocorre que os judeus tinham o tal do "não matarás".
Líderes religiosos poderiam até mandar matar, mas não matavam eles próprios para "não escandalizar".
O estado se torna então o melhor matador de aluguel que uma religião aliada a ele pode contratar,
porque o estado faz o serviço limpo, sem crimes, usando seus agentes e suas leis.
E é isso que a religião dele faz: primeiro denuncia-o para o estado, como fez, no Brasil, o pastor batista Nilson do Amaral Fanini ao entregar listinhas de nomes de jovens batistas "rebeldes" para os generais da ditadura; como fizeram os irmãos Sucasas, pastores metodistas voluntários no DOI-COD; como fizeram os lideres presbiterianos que denunciaram  o jovem pastor Rubem Alves, entre tantos outros.
Ocorre que o estado romano não viu qualquer irregularidade nos feitos de Jesus que representasse uma ameaça ao Império.
Aí então, a religião precisou ir direto ao ponto: "Não importa.
Precisamos matar ele.
Ele pode não estar atrapalhando o império, mas está atrapalhando os nossos negócios, e o império precisa dos nossos serviços de anestesiamento e alienação do povo..."
E o império o matou para fazer um afago na religião, para agradá-la.
Hoje, a religião que se pensa dona dele, faria o mesmo.
Para evangélicos e católicos, Jesus é um cara legal porque está morto.
Vivo, seria uma ameaça,
um inimigo a ser combatido por essa mesma igreja.
A causa de Jesus Cristo é a nossa causa.
Eu morreria pela minha causa,
pela minha pauta.
Eu amo o Jesus Cristo que morreu por uma causa.
Não precisava mesmo ser por mim.

domingo, 17 de abril de 2022

O sentido da Páscoa

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Todos, sem exceção, estamos de passagem.
Não estamos vindo.
Estamos indo.
Não estamos de chegada.
Estamos de partida.
Vemos paisagens que nunca mais veremos.
Vivemos situações que jamais serão revisitadas.
Encruzilhadas que não se repetirão. 
A festa mais importante do calendário religioso judaico-cristão retrata justamente isso.
Páscoa significa “passagem”.
Foi instituída durante o chamado “Êxodo”, que por sua vez,
significa “saída”.
Nada jamais será como antes.
A vida segue um irreversível fluxo de mudanças.
E as maiores mudanças não se dão pela variação de cenários,
mas na sucessão de paisagens internas.
Nosso mundo interior está sujeito a rearranjos.
A cada nova peça encontrada,
o quebra-cabeça que parecia estar devidamente montado, desafia-nos a ressignificá-lo.
Novas combinações fazem com que imagens inusitadas emerjam.  
Cada pessoa que atravessa nosso caminho traz novos elementos que contribuirão nesta transformação.
Alguns que hoje nos brindam com sua companhia, ficarão pelo caminho, mas continuarão a nos acompanhar em nossa lembrança.
Cada pessoa que passa por nós,
não nos deixa sós, deixa um pouco de si, leva um pouco de nós.
Quem se atreveria a atravessar um deserto sozinho?.
A solidão não passa de ilusão.
Somos habitados por todos os que cativaram nossa atenção em algum momento do trajeto.
Afetos não se desfazem, apenas se transformam.
Alegrias viram saudade.
Feridas se tornam cicatrizes. 
Assim como temos um DNA que nos difere de todos os demais seres humanos, nossas experiências e relações nos fornecem um tipo de DNA existencial que nos torna únicos, indivíduos absolutamente autênticos.
Ainda que tais elementos sejam encontrados em outros,
a ordem sequencial em que se apresentam em nossa composição é absurdamente única.
Portanto, enquanto caminhamos, somos seres inacabados à espera de novos elementos que nos comporão. 
A tão desejada Terra Prometida se insinua no horizonte.
Mas nossa visão é bloqueada por uma cordilheira montanhosa.
As mesmas montanhas que bloqueiam nossa visão, servem-nos de plataforma para possibilitar que enxerguemos mais longe.
Tudo vai depender de onde nos pusermos, se nos pés do monte ou em seu topo.
A fé nem sempre remove montanhas.
Às vezes ela nos faz escalá-las.
Quem tentar rodeá-las estará fadado a andar em círculo.
Dificuldades superadas nos servem como referências geográficas nesta paisagem interior.
Sabemos de onde viemos e para onde estamos indo.
Porém, mais importante do que a viagem, não é apenas o destino em si, mas, sobretudo, a companhia.
Feliz é quem, em vez de buscar seguidores, procura por companheiros.
As areias do deserto não nos permitem deixar rastro.
Como, então, poderão nos seguir?.
Todavia, não estamos abandonados à própria sorte.
Seguimos a nuvem.
A mesma que nos aquece durante as noites gélidas e nos refresca sob o sol escaldante.
Seguimos Àquele que está acima de nós.
O único que foi capaz de enfrentar o deserto sozinho.
Não seguimos uns aos outros. Seguimos ao Ressurreto, enquanto oferecemos companhia aos que compartilham da mesma travessia.
Qual será nossa surpresa quando finalmente atravessarmos o Jordão da nossa existência e reencontrarmos lá todos os que nos ofereceram sua companhia ao longo do trajeto.
Não existe “adeus”!.
No máximo um “até logo”.
Por vezes, o reencontro se dá antes mesmo do Jordão.
As contingências da vida faz com que a gente se perca, e eventualmente se ache e seja achado.
Mas, se porventura, não nos esbarrarmos mais durante a viagem, certamente nos veremos para além do rio, onde nada mais passará,
mas durará para sempre.
Para os judeus é a travessia do Egito para Terra Prometida, por meio do Êxodo.
Para os cristãos é a travessia da morte para vida, por meio da ressurreição de Cristo.
Antes de deixar o Egito,
cada família hebreia teve que sacrificar um cordeiro. 
Da mesma forma, para deixarmos a morte, o Cordeiro de Deus que remove o pecado do mundo,
teve que ser sacrificado. 
Toda travessia da vida é patrocinada pelo Cordeiro.
O fato é que a Páscoa não é só a passagem da morte para a vida,
mas é a vitória da vida sobre a morte.
É por meio da ressurreição de Jesus que uma cova serve de jardim. 
Um lugar onde a semente morre para fecundar a terra e fazer uma nova flor nascer.
É o recado que a morte não é o fim, mas um sinal de recomeço.
Toda morte vencida gera vida para que seja possível passar do luto à luta. 
Não encare essa travessia sozinho, confiante no próprio braço. 
Confie no Cordeiro imolado.
Avance!.
Ficar parado com medo do destino,
é um desatino que te faz clandestino da própria existência. 
Faça da vida uma Páscoa contínua.
Ressuscite.
Reapareça.
Renasça.
Ressurja.
Reviva.
Renasça de forma continua.
A Páscoa significa ressuscitamento.
Que possamos ressuscitar o sentido de ser gente, o amor que se esfriou, a empatia, o respeito, a tolerância, o conviveu, o coletivo, a igualmente, o dividir, o repartir para que vivamos o verdadeiro sabor da Páscoa que se chama: Jesus Cristo.
 

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Sexta-feira Santa

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Jesus que pregou a paz o amor a solidariedade princípios  de se viver coletivamente.
Onde o coletivo é  mais importante  que a individualidade. 
Foi condenado, torturado e morto!.
Por quem?.
Pelo sistema dominante da época.
O Império Romano com apoio  político dos religiosos da época!.
Gostaria de dizer  que de 2000 anos pra cá  o mundo mudou!.
Mas não é  verdade!.
Brasil campeão de Feminicidio
O Racismo, a derrubada das terras indígenas com olhar de exploração  comercial de suas terras.
Minério , Madeira ainda pra alguns vale mais que a vida e o jeito de viver indigena.
Ainda a individualidade o poder financeiro  de poucos se sobrepõem da maioria.
Vivemos um governo fundamentalista, conservador,
que prega a violência  às armas como forma eficaz de ordem.
Com uma política de armar os seus contra os que pensam de uma forma diferente.
E quem pensa de forma diferente já é  taxado de Comunista.
Não que eu não seja!.
Mas todo mundo agora o é!.
Os que defendem esse governo sai usando da violência  como regra.
E ao mesmo tempo muitos usando o nome de Deus.
Como disse Jesus foi condenado, taxado de subversivo.
Hoje seria diferente?.
Infelizmente acredito que não!.
Pois como disse Jesus.
 Como trato o outro  é como você me trata.
Sendo assim a sociedade ainda crucifica Jesus!.
Quando sou intolerante, racista, xenofobico, homofóbico, violento e egoísta.
Cabe ao" justos", aos humanistas aos socialistas,comunistas, cristãos, e de todas as religiões orientais, ocidentais e Africanas  transformar a sociedade. 
Contra estes seguidores deste espectro sombrio!.
Que crucificou Jesus e continua a crucifica-lo.

Tiros em Nova- York

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Em menos de 24 horas,
a polícia identificou,
localizou e prendeu o homem que disparou tiros e feriu 30 pessoas no metrô de Nova York.
A caça mobilizou todas as autoridades, unidas por um sentido de ação,
reação e indignação,
coisas típicas de quem não aceita fazer concessão ao crime seja qual for.
É disso que a cidade do Rio precisa!.
Desse ato de urgência,
atenção, proteção e amor.
Não só a cidade do Rio,
mas também os cariocas,
os turistas,
os negócios,
os comerciantes,
os empresários,
os investidores.
Mais do que suas praias,
paisagens e belezas naturais,
o Rio é uma marca,
uma grife,
a moda que não sai de moda.
A cidade é a sede oficial do sol,
do mar, do samba,
da bossa nova,
do Rock in Rio.
Temos atrações pelas quais milhões de pessoas estão dispostas a pagar bilhões de dólares, euros ou reais.
Para muitos estrangeiros,
o Rio é a melhor Nova York que já conheceram;
a melhor Londres que já se viu;
a melhor Paris;
a melhor Madri;
a melhor Tóquio.
Nenhuma outra cidade é tão melhor aos olhos de tantos visitantes.
E nunca tantos visitantes viraram,
de graça, garotos-propaganda da nossa cidade que costuma ser aclamada por reis,
rainhas,
papas,
presidentes e celebridades de todo o planeta.
Já sabemos como viver e sobreviver no Rio.
Só precisamos aprender a proteger e ganhar dinheiro com essa Cidade Maravilhosa.
Afinal, se os nova-iorquinos amam Nova York,
o mundo inteiro ama o Rio.

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